A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
“TENTAR SEMPRE. SEMPRE E SEMPRE PARA MELHOR” – DISCURSO de FRANKLIN D. ROOSEVELT, na UNIVERSIDADE OGLETHORPE, em ATLANTA, GEORGIA, 22 de MAIO de 1932 – I
President Jacobs, members and friends of Oglethorpe University, and especially you, my fellow members of the Class of 1932:
Para mim, como para si, como para todos, este é um dia em que nos sentimos com orgulho pelo objectivo que foi alcançado. Pela honra que me é conferida estou-vos profundamente grato, e eu felicito-o a si pelo que tem feito, mesmo que eu não possa compartilhar consigo essa grande satisfação que vem de um prémio ganho por quem bem trabalhou e ganhou. Para muitos de vós, sem dúvida, esta marca de distinção que recebeu hoje tem significado um bem maior sacrifício para os seus pais ou para vós próprios, do que aquilo que esperava quando se matriculou há quase quatro anos atrás.
O ano de 1928 não parece muito longe no passado, mas desde aquela altura, como todos nós estamos conscientes, o mundo também à nossa volta tem sido sujeito a mudanças significativas. Quatro anos atrás, se se ouviu e acreditou nas notícias da época, podia-se facilmente esperar assumir o nosso lugar numa sociedade bem fornecida com coisas materiais e em que se poderia olhar para um tempo futuro não muito distante, em que se poderia imaginar estar a viver na sua própria casa, (se acreditam nos políticos), com uma garagem para dois carros; e, sem grande esforço, cada um de nós esperaria poder proporcionar a si mesmo e às suas famílias a satisfação de todas as necessidades e coisas úteis da vida e, talvez, além disso, assegurar através das respectivas poupanças a sua própria segurança e o seu próprio futuro. Na verdade, se tivéssemos estado atentos teríamos visto que muitos dos nossos idosos tinham descoberto um caminho ainda mais fácil para o sucesso material. Estes idosos descobriram que uma vez que tinham acumulado alguns dólares de que necessitavam para os colocar no local apropriado e descansados deixaram as coisa sandar e começaram no conforto das suas casas a ler os hieróglifos a que se chamam as cotações das acções, em que se proclamava que a sua riqueza estava a aumentar miraculosamente sem nenhum trabalho para isso ou esforço da parte deles. Muitos dos que eram chamados e que estão ainda satisfeitos em se chamarem eles próprios os líderes da finança celebravam-nos e asseguravam-nos um futuro eterno para este modo de vida fácil de rico sentado numa cadeira. E para estimular a crença nesta louca quimera foi utilizada a voz de alguns de nossos homens públicos, sobretudo do topo da Administração Pública e a sua influência e a ajuda material dos próprios instrumentos que o governo controlava.
Como foi infelizmente tudo tão diferente é o que nos a imagem que nós vemos agora à nossa volta nos dias de hoje! Se fosse somente a miragem que tivesse desaparecido, nós não nos deveríamos queixar, porque nós deveríamos estar todos em melhor situação. Mas com ela desapareceram, não somente os ganhos fáceis da especulação, mas muita das poupanças que homens e mulheres prudentes e poupados colocaram de lado para a sua velhice e para a educação dos seus filhos . Com estas economias a desaparecerem , entre milhões de nossos concidadãos, foi-se também essa sensação de segurança em que eles correctamente se sentiam apoiados numa terra dotada com recursos naturais abundantes e com capacidades produtivas para os converter em necessidades da vida para toda a nossa população. Mais desastrosamente ainda, desapareceu também com a expectativa da segurança no futuro também a certeza do pão, da roupa e do abrigo de hoje.
Alguns de vocês — espero que não sejam muitos — está a querer saber hoje como e onde se poderá ganhar a vossa vida nem que seja apenas por algumas semanas ou alguns meses. Muito tem sido escrito sobre a esperança da juventude. Eu prefiro sublinhar uma outra qualidade. Eu espero que os nossos jovens possam passar quatro anos numa instituição com a fundamental finalidade, assumo-o, de se treinarem para serem capazes de conhecer duras realidades e de as olharem corajosamente, serem capazes de enfrentar o actual e mau estado das coisas, da realidade do mundo actual, com uma bem melhor perspectiva de análise e de perspectiva de soluções que muitos dos seus antepassados.
Porque todos nós vimos este mundo de que cada um de nós se pode tornar uma parte mais activa, não tenho nenhuma dúvida que cada um de nós está impressionado por este caos, pela ausência de todo e qualquer plano, pela falta de perspectivas. Talvez alguns de nós tenhamos usado uma linguagem bem mais forte. E uma linguagem bem mais forte é justificada. E mesmo que se tenha estado a licenciar em vez de se estar a matricular, nestes dias cor-de-rosa de 1928, poderá, acreditem-me, perceber bem esta situação. Por baixo de todo o feliz optimismo daqueles dias o que existia era a ausência de perspectivas, de planos para o futuro para além de se verificar um enorme desperdício .
Esta incapacidade de medir os verdadeiros valores e de olhar longamente para o futuro era comum a cada sector, a cada profissão, a cada classe social. Tome-se por exemplo, a vocação do próprio ensino superior.
Se algum de nós quiser entrar para a profissão de professor, verificará que as universidades, os liceus, as escolas normais de nosso país formam actualmente mais professores e com muito mais formação do que as escolas do país poderiam possivelmente utilizar ou absorver. Cada um de nós sabe que o número de professores necessários no país é um dado relativamente estável, pouco afectado pela depressão e passível de uma estimativa razoavelmente exacta feita com alguma antecedência em face do crescimento demográfico nos Estados Unidos. No entanto, nós continuamos a somar cursos de ensino sobre cursos, para aceitar cada jovem, homem ou mulher, naqueles cursos sem nenhuma ideia ou consideração para com a lei da oferta e da procura. No estado de Nova York apenas, por exemplo, há pelo menos sete mil professores qualificados que estão sem trabalho, incapazes de ganhar o rendimento de subsistência na profissão que escolheram apenas porque ninguém teve a sagacidade ou o cuidado e a coragem igualmente de lhes dizer, quando ainda jovens que a profissão do ensino estava com excesso de oferta de docentes.
Veja-se, de novo, a profissão de jurista ou de advogado. O nosso senso comum diz-nos que temos muitos advogados e que milhares deles, extraordinariamente preparados não vivem uma existência condigna com a sua formação sendo obrigados a trabalhos manuais para sobreviverem ou estão a mudar-se para outras actividades para assim evitarem serem objecto de caridade . As universidades, os próprios tribunais pouco têm feito para trazer esta situação ao conhecimento dos jovens que estão a pensar em entrar para uma qualquer das muitíssimas de direito. Aqui novamente previsão e planeamento foram notáveis pela sua completa ausência.
Da mesma forma que nós não podemos revisitar cuidadosamente a história do nosso avanço industrial sem ficarmos espantados com a multiplicidade de avanços que se devem também ao acaso, o gigantesco desperdício com que tudo isto tem sido realizado, a duplicação desnecessária de instalações produtivas, a demolição contínua de equipamento e ainda em estado de funcionamento, a enormidade de falências nas empresas industriais e comerciais, as milhares de empresas que foram levadas para vias sem saída, o enorme desperdício de recursos naturais. Muito deste desperdício é o subproduto inevitável do progresso numa sociedade que avalia o esforço individual e que é susceptível às mudanças nos gostos e nos costumes das pessoas que a compõem. Mas muito desse desperdício, penso eu, poderia ter sido impedido por uma melhor previsão e também em grande medida por um bem melhor planeamento social. Tais forças de controle e de direcção tal como têm sido desenvolvidas nestes últimos anos residem e num grau perigoso em grupos que têm interesses especiais na nossa ordem económica, interesses que não coincidem com os interesses da nação no seu conjunto.
Eu acredito que a evolução recente da nossa história demonstrou que, quando nós pudermos utilizar os seus conhecimento como peritos para determinados problemas e sobre problemas especiais com que estão familiarizados nós não podemos permitir que a nossa vida económica esteja controlada por esse grupo pequeno de homens cuja principal perspectiva sob o bem estar social tem subjacente o interesse de poderem obter lucros enormes com o empréstimo do dinheiro e os mercados de títulos financeiros — uma perspectiva que merece os adjectivos de “egoísmo” e de “oportunismo.”
Cada um de nós poderá ter sido atingido eu sei, pela trágica ironia da nossa situação económica de hoje. Nós não fomos conduzidos à nossa situação actual por uma qualquer calamidade natural — por secas, inundações ou terramotos ou ainda pela destruição do nosso aparelho produtivo ou pela força humana. Na verdade, nós temos uma superabundância de matérias-primas, uma mais que ampla oferta de equipamentos para a transformação destes recursos pela indústria transformadora na produção das mercadorias que precisamos e temos meios de transporte e instalações comerciais para torná-los disponíveis a todos os que deles necessitam no nosso país.
Mas matérias-primas ficam por utilizar, as fábricas ficam encerradas, o tráfego ferroviário continua a diminuir, os comerciantes vendem muito menos, enquanto milhões de pessoas aptas para o trabalho, homens e mulheres, e em situação de extrema necessidade, clamam por uma oportunidade de trabalhar. Este é o paradoxo terrível com que somos confrontados, uma crítica pungente que desafia a nossa capacidade para fazer funcionar a máquina económica que nós próprios criamos.
Somos confrontados com uma multiplicidade de pontos de vista de como nós poderemos colocar novamente a máquina económica em funcionamento. Alguns defendem a teoria de que estas depressões periódicas da nossa máquina económica são uma das suas inerentes peculiaridades, uma peculiaridade que nós teremos de aguentar, se pudermos, e levantarmo-nos depois, porque se tentarmos alterar essa trajectória provocaremos males ainda piores. De acordo com esta teoria, como eu vejo isso, se pudermos aguentar o tempo suficiente e levantarmos-nos depois, a máquina económica começará eventualmente a ganhar velocidade e no decorrer de um número indefinido de anos irá novamente alcançar o número máximo de rotações, o que significa que estamos habituados erradamente a chamar a esta situação prosperidade, mas que, infelizmente, é sim uma última pirueta ostensiva da máquina económica antes de novo sucumbir a esse misterioso impulso que nos leva novamente à depressão económica,. Essa atitude face à nossa máquina económica requer não somente maior estoicismo, mas ainda uma maior fé nas imutáveis leis da economia e menos fé na capacidade do homem para controlar o que ele próprio criou, de que a que eu, por exemplo, tenho. Quais quer que sejam os elementos de verdade que há nisto tudo , o certo é um convite para nos sentarmos e não fazer nada; e todos nós estamos a sofrer hoje, eu acredito, por causa desta confortável teoria que também está totalmente presente na mente de muitos dos nossos dirigentes, tanto nas finanças e como na Administração Pública.
Outros estudiosos da economia analisam as nossas dificuldades atuais e comparam-nas com a devastação provocada pela guerra mundial e pelo seu legado de problemas políticos, económicos e financeiros por resolver. Outros ainda analisam as nossas dificuldades como ligadas aos sistemas monetários do mundo. Se isto pode ser uma causa que está na origem, uma causa que se junta a outras. acentuando-as, ou um efeito, a mudança drástica no valor de nossa unidade monetária em termos das mercadorias é um problema que nós devamos enfrentar directamente.
É claramente evidente que nós devemos procurar conseguir que o valor das mercadorias atinja um nível que se aproxime do seu valor em termos do dólar de diversos anos antes ou então nós devemos continuar o processo destrutivo de redução da riqueza produzida, através de falências e incumprimentos ou de reestruturações de dívidas e consequentes desvalorizações das mesmas, com as obrigações supostas a nível de preços mais elevado.
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