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EDITORIAL – Ainda a vitória do Syiriza

logo editorialAs ideias do Syiriza são “conto de crianças”, diz Passos Coelho enquanto Mariano Rajoy se apressa a dizer que Espanha não é a Grécia. Desacreditar a Grécia, transformando os gregos num povo que vive de expedientes, parece ser a forma encontrada para «explicar» a surpreendente vitória do Syiriza. A comunicação social acampou em Atenas. A RTP encarregou José Rodrigues dos Santos de nos contar como foi e ele vai enviando os seus despachos com o à vontade próprio de quem sabe o que faz. E parece saber…

Rodrigues dos Santos poderia ser um bom jornalista. Tem condições para o ser – experiência profissional, desenvoltura, rapidez de raciocínio e capacidade de improvisação; mas falta-lhe a humildade para reconhecer as suas insuficiências, as culturais, sobretudo. A teimosia com que mantém ou manteve a expressão ter a haver em vez de ter a ver é uma prova de ignorância que fica mal a qualquer pessoa e que é inaceitável num pivô da estação pública de televisão e, mais grave, num docente universitário.

Pareceu ter um assomo de coragem profissional quando denunciou a desonestidade que permitiu a Rosa Veloso saltar por cima de três candidatos mais bem classificados e ficar com o lugar de correspondente em Madrid. Mas depressa meteu a viola no saco e deixou que o assunto morresse de morte natural. Agora, na qualidade de enviado à Grécia resolveu fazer humor, aquele tipo de humor que nos ofendeu quando uma medíocre actriz de telenovelas vinda a Portugal se permitiu «provar» in loco os clichés com que a maioria dos brasileiros define os portugueses. Na qualidade de enviado a Atenas, referiu assim “a pequena corrupção generalizada na Grécia”: “Por exemplo, muitos dos gregos que passam a pé diante da casa do antigo ministro da Defesa – comprada com o dinheiro dos subornos do negócio dos submarinos – são paralíticos, ou melhor, subornaram um médico para obter uma certidão fraudulenta de deficiência que lhes permite receber mais um subsidiozinho.”

Esta cobertura noticiosa (se assim se pode chamar) valeu uma dura crítica do professor de Política Internacional, na Universidade de Coimbra, José Manuel Pureza, em directo na noite do passado domingo, na RTP Informação, com apresentadora a tentar minimizar os estragos, e o pofessor Nuno Severiano Teixeira, rindo. Com «coberturas noticiosas» deste nível bem podia a RTP poupar a despesa. A não ser que José Rodrigues dos Santos esteja a fazer o que lhe foi pedido – que demonstre que as ideias do Syiriza são contos para crianças… Para já, os  seus despachos pouco têm a ver com a realidade. O povo grego tem a haver um pedido de desculpas.

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