
É a governação apenas possível de ser executada pela direita?
Há, na sociedade de hoje, enredada nas teias da finança, imaterial e especulativa , espaço para um governo diferente, soberano e não sujeito aos ditames externos, que o forçam ao desmantelamento da economia e produção nacional e ao gasto na importação dos produtos e serviços do eixo dominante – mesmo se fora das suas necessidades e para além das suas capacidades, mesmo se para tal tenham de endividar o país – e à utilização dos bens e recursos públicos para garantir a renda dos privados possidentes?
Pode o governo pensar noutra coisa que não nos empréstimos e juros e nos negócios que continuadamente tem de continuar a facilitar aos facilitadores e intermediários?
Pode um governo resistir e não ser o instrumento dos de “cima”, não se preocupar em garantir, pela subserviência, um futurinho quando se lhe acabar o tempo de governinho?
Pode um governo pensar no bem comum, agir em prol do desenvolvimento e da justiça social, ter em consideração a vida, a felicidade e as reais necessidades das pessoas, redistribuir riqueza sem cair na tentação do compadrio e corrupção, optar pelos de “baixo”, pela gente comum?
Pode o governo servir e não servir-se e ser servil?
Pode um governo ser de esquerda?
Só pode, senão é apenas o mordomo do seu amo, um Ambrósio de usar e deitar fora.
Só pode, porque não pode tudo continuar na mesma.

