CARTA DE LISBOA – Abriu a caça ao pato bravo – por Pedro Godinho

lisboa

 

Abriu a caça ao pato-bravo, nós.

Já começaram a limpar as armas e a escolher os chamarizes.

O alvo somos nós, querem- nos fazer cair que nem patinhos, ou tordos, com chumbo grosso.

O pior é que a experiência passada fá-los esperar  que a caçada lhes volte a correr de feição.

E correrá, se nos comportarmos como presas.

A direita é a direita, dela nada há a esperar – que não seja a perpetuação oligárquica do domínio de poucos para se apropriarem do bem público fazendo-o seu, custe o que custar. Direita que nem nacional é capaz de ser, mera serva da potência estrangeira.

A esquerda é o problema – ai, a esquerda – que não consegue ser o que é, ou devia ser, simplesmente esquerda. Força de liberdade, democracia e justiça social, de quem se preocupa com a felicidade e a vida das pessoas, mais do que com a propriedade.

O problema é a esquerda que governa fazê-lo como direita e outra esquerda querer – narcísica – apenas gritar protestos, por recear o peso de governar (escolher, decidir, agir).

Assim vamos, ordeiramente, para o abate.

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