CARTA DE LISBOA – Pode um Governo ser de esquerda? – por Pedro Godinho

lisboa

 

 

É a governação apenas possível de ser executada pela direita?

Há, na sociedade de hoje, enredada nas teias da finança, imaterial e especulativa , espaço para um governo diferente,  soberano e não sujeito aos ditames externos, que o forçam ao desmantelamento da economia e produção nacional e ao gasto na importação dos produtos e serviços do eixo dominante – mesmo se fora das suas necessidades e para além das suas capacidades, mesmo se para tal tenham de endividar o país – e à utilização dos bens e recursos públicos para garantir a renda dos privados possidentes?

Pode o governo pensar noutra coisa que não nos empréstimos e juros e nos negócios que continuadamente tem de continuar a facilitar aos facilitadores e intermediários?

Pode um governo resistir e não ser o instrumento dos de “cima”, não se preocupar em garantir, pela subserviência, um futurinho quando se lhe acabar o tempo de governinho?

Pode um governo pensar no bem comum, agir em prol do desenvolvimento e da justiça social, ter em consideração a vida, a felicidade e as reais necessidades das pessoas, redistribuir riqueza sem cair na tentação do compadrio e corrupção, optar pelos de “baixo”, pela gente comum?

Pode o governo servir e não servir-se e ser servil?

Pode um governo ser de esquerda?

Só pode, senão é apenas o mordomo do seu amo, um Ambrósio de usar e deitar fora.

Só pode, porque não pode tudo continuar na mesma.

1 Comment

  1. Pode e deve mas para obstaculizá-lo – infelicidade nacional – estão de serviço os partidos políticos que só a si próprios podem chamar-se de esquerda e que, para mal de todos os portugueses, exigem prosseguir como intermediários obrigatórios na formação dos Órgãos de Soberania. Quem, nos últimos anos, permanece em São Bento e, assim, com uma total objectividade, oferece a legitimação dos vendilhões do templo, jamais pode ser reconhecido como de esquerda, ou melhor, como sendo da Democracia. Aceitar o colaboracionismo que em São Bento tem sido facilitado à chamada maioria e ao seu regente instalado em Belém desmente, sem sombra de dúvidas, quaisquer propósitos políticos em favor da defesa e da promoção social da População portuguesa, da afirmação da sua Soberania Nacional e, decisivo, da defesa intransigente da sua Independência Nacional, tudo no quadro democrático das interdependências internacionais..CLV

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