O Facebook é um meio de transmissão de conhecimentos, de partilha, de desafios, de encontros entre pessoas que já não se viam há muito tempo e de conhecimento de outras. É um meio de comunicação entre muitos amigos virtuais….
Quando abrimos o facebook deparamo-nos também com um comportamento estranho: muitas pessoas divulgam fotografias e acontecimentos das suas vidas particulares, íntimas. São imensas as fotografias de pratos culinários, bem decorados e apetitosos.
Fotografias de raparigas e de rapazes musculados e insinuantes, fotografias dos filhos.
Quanto à fotografia do “perfil” espanta-me a quantidade de vezes que algumas pessoas mudam de fotografia dos próprios.
Vivemos num mundo em que tudo muda em micro segundos, o que é válido hoje amanhã pode já não o ser…
Os anúncios nas televisões são quase sempre a apelar ao consumo de carros cujos são publicitados por raparigas muito esbeltas, bonitas e sensuais, os anúncios aos perfumes, aos relógios têm a mesma lógica publicitária.
As mulheres passam a vida a apresentar as vantagens dos detergentes.
As crianças são usadas para a venda de brinquedos caros, de jogos de computador, sempre numa lógica de competição “ainda não tens?”…
A carga horária de publicidade na televisão é muito alta, chega a ser 20 minutos seguidos.
Todos os anúncios são feitos com pessoas que “não existem”, com sorrisos artificiais, com corpos moldados pela marca de um iogurte.
O que tem tudo isto a ver com o facebook? Nada ou muita coisa, pois é um meio de comunicação também de exibição de egos que necessitam de se mostrarem, tendo como referência o mundo que as rodeia. No Facebook percebe-se que as pessoas precisam de dizerem o que pensam, como são fisicamente, no fundo de dizerem “Estou aqui! Alguém que olhe para mim.”
Quem opta por ter um “perfil” temático é tido como aquela pessoa que não quer dar a cara…
O nosso mundo é feito de vários mundos que por vezes não se conseguem reconhecer mas sentem-se atacados quando alguém reflecte sobre eles, apenas com interrogações.
As pessoas convivem pouco, não vão a casa umas das outras partilhar as suas vidas, combinar uma ida ao cinema, não se olham, não se tocam. convivem através da tecnologia…
Como será Amanhã com as gerações que são assim educadas?
É uma pergunta que nos deve inquietar, pois o paradigma da cidadania, da liberdade, do sentimento de pertença, dos afectos poderá ser outro. Melhor? Pior? Não sei, o que sei é que a vontade de comunicar atravessa todos os tempos, o que difere é a forma como se estabelece. Será que a necessidade dos afectos vai ser alterada, eu sinto que já está a ser.
A tecnologia trouxe muita coisa boa e vai, certamente, continuar a trazer.
O reconhecimento dos afectos entre amigos, da família, do reconhecimento da criança como um ser com as suas especificidades foi um passo de gigante no sentido da dignidade humanidade mas é essencial saber reconhecer o outro porque o Outro sou Eu.