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A MAIOR REVOLUÇÃO NA COMUNIDADE CIGANA por Luísa Lobão Moniz

A maior revolução na comunidade cigana.

Rendimento de Inserção Social “foi a maior revolução na comunidade cigana”, assim o disse Sónia Matos, Dirigente da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas no público de 25 de Março.

A comunidade cigana é composta por portugueses e portuguesas que pertencem à etnia cigana.

Ao longo dos tempos tem sido difícil a comunidade não cigana conseguir relacionar-se com os ciganos. Ainda há escolas que consideram a presença de alunos ciganos um problema. Os ciganitos e as ciganinhas trazem para a escola a alegria com as suas músicas e danças. Trazem também uma cultura diferente e, por vezes, antagónica. Trazem zaragatas ao portão das escolas. Trazem insucesso agarrado à pele. Batem nos outros alunos, chamam a família para resolver o problema…

A família é muito importante para os ciganos, a família cigana é uma família alargada e não nuclear, reconstruída como a dos não ciganos.

A família cigana não entende as regras da Escola, aliás como outros alunos, e a Escola não percebe alguns traços culturais desta etnia.

Facilmente se diz que os ciganos não querem trabalhar e por isso não deviam receber o Rendimento Social de Inserção (RSI), eles enganam toda a gente.

O RSI é visto pela comunidade cigana como um prémio, por cumprirem o contrato feito com a segurança social, não é visto como uma saída da pobreza.

Há muitas famílias ciganas pobres e muito pobres, sem expectativas para o futuro. Se os filhos forem estudar não vão saber como escolher a mercadoria para vender nas feiras, se “tiverem estudos  não arranjam emprego porque não há e porque são ciganos”

A importância da escola fá-los reflectir e perguntar para quê a escola. “Quando estão na escola há sempre problemas”

Uma mulher cigana, com filhos em idade escolar dizia

“..o mê menino quando tinha 7 anos era muito pequeno para ir para a escola, agora tem doze e já é um homem, não pode ir para a escola”.

E era assim que a comunidade cigana via os seus filhos e a escola. As filhas, nem pensar irem para a escola porque podem querer namorar um senhor (um não cigano).

As raparigas só devem casar com ciganos para que a cultura cigana se preserve. É à mulher que cabe ensinar os valores ciganos.

Os ciganos têm comportamentos diferentes dos não ciganos, mas também os há parecidos, pois os pobres não escolhem etnias e quando confrontados com os mesmos problemas a reacção é muito idêntica. Para além das suas culturas e identidades, todos vivem a” cultura da pobreza”.

Um dos resultados, entre muitos outros, da Grande Revolução na Comunidade Cigana é permitir que as crianças, raparigas e rapazes, frequentem a Escola.

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