“Conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos”.
O autor desta pérola é o dr. Coelho. Foi proferida em Aguiar da Beira, durante a inauguração de uma queijaria, e assinala o regresso do dr. Loureiro, após longo e conveniente período de nojo.
Este dr. Loureiro, de que aqui se fala, é o ex-ministro e ex-conselheiro do dr. Cavaco, que foi (é) personagem principal de um dos dois maiores casos de burla em Portugal – o caso BPN/SLN. O outro é caso BES/GES.
Aguiar da Beira é a terra natal do dr. Loureiro, a queijaria agora inaugurada pertence a amigos seus pelo que, diz-se na notícia, fez questão de ali estar a apadrinhar a iniciativa.
Ou seja: o dr. Loureiro apadrinhou a queijaria dos amigos e o dr. Coelho, depois de o amanteigar com a pérola acima citada, tirou-o da toca onde tem vivido desde que o caso BPN/SLN explodiu e enterrou sob os seus escombros quase 5 mil milhões de euros do erário público.
Do dr. Passos, e do seu governo, espera-se tudo. Sobretudo, ausência de pudor e vergonha. Mas o apadrinhamento agora dado ao dr. Loureiro, “um empresário bem-sucedido” que “viu muitas coisas por esse mundo fora” traz-me à memória a sua ligação a El-Assir, um libanês citado como “traficante de armas”, que foi sócio das famílias Bush e Bin Laden em vários negócios.
Uma ligação tão forte que levou o ex-conselheiro do dr. Cavaco a convidá-lo para o casamento da sua filha com o filho de Ferro Rodrigues, actual líder parlamentar do PS.
Aliás, o dr. Loureiro acabou por ser administrador da REDAL, uma empresa de águas e energia eléctrica marroquina, por influencia directa do seu amigo Assir e do então ministro do Interior de Marrocos Driss Basri (1). A empresa acabaria na posse do grupo BPN via Plêiade e o dr. Loureiro contemplado com vários milhões.
É, pois, destes empresários bem-sucedidos, bem relacionados e exemplares que o dr. Coelho gosta.
Gosta e disso dá público conhecimento.
(1) O juiz Baltazar Garzon processou Driss Basri pelo alegado genocídio de 500 sarauis. Acabou por morrer em Paris – cidade onde se exilou depois de 25 anos de poder e de ter sido acusado de tortura, assassínio, compra de votos e suborno de políticos. Dele também se disse que só com a sua bênção era possível fazer negócios em Marrocos.

