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EDITORIAL – A reinvenção da Democracia

logo editorialHá cerca de trinta anos, um grupo de cidadãos oriundo de partidos de esquerda, alguns dos quais pertencem hoje à família argonáutica, além de ter criado uma «associação de esquerda não-alinhada», a AEPNA, produziu e editou uma revista onde, entre outras coisas, se propunha «repensar», reinventar a democracia – Questões & Alternativas. Já então, dez anos depois do luminoso Abril de 74, era evidente que ao embuste neo-liberal não era lícito chamar Democracia.

Segundo um artigo de Maria João Lopes do jornal  Público de ontem, um jovem português, Manuel Arriaga, licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em Gestão pela Universidade de Nova Iorque, publicou a obra Reinventar a Democracia, 5 ideias para um futuro diferente. Explica: “Em 2010, quando concluí o doutoramento, regressei à Europa, a Inglaterra e comecei a vir com mais regularidade a Portugal. Isto coincidiu com a austeridade na sua versão mais virulenta e tornou-se claro para mim que não estávamos em controlo das políticas que eram implementadas ostensivamente em nosso nome”. Apesar de dizer que as “democracias estão doentes”, acredita que é possível uma mudança. Não lemos o livro e estamos apenas a referir dados que são parte do referido artigo.

Não querendo contestar o valor da tese defendida por Manuel Arriaga, apenas alertamos para o perigo de considerar que este sistema padece de uma enfermidade curável. Temos frequentemente chamado a atenção para a deturpação do ideal democrático que tem vindo a agravar-se, a consolidar-se em patamares de traição que possibilitem a sua anulação em favor de uma “estabilidade” que poupe à oligarquia neo-liberal os sobressaltos, as intromissões da populaça nos programas organizados por «quem sabe». A propósito, chamamos a atenção dos nossos visitantes para um artigo de José Goulão que publicaremos esta tarde – CHAMA-SE A ISTO DEMOCRACIA.

Na verdade, quando vivíamos sob uma ditadura, muitos de nós entendiam que a concessão das liberdades fundamentais, nomeadamente o direito de associação e o direito de voto, eram suficientes para normalizar a vida da nossa sociedade. Agora, começamos a ter consciência de que a Democracia formal, dita representativa, não está doente – pura e simplesmente é a burla que permite a uma classe dominante manter os mesmos privilégios que tinha sob a ditadura.

Porque a Democracia não está doente – o que, mais do que doente, jaz morto e arrefece, é o conceito de Democracia pelo qual nos regemos.

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