CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – ESCOLAS? QUE ESCOLAS? DO CRIME?! – por Mário de Oliveira
carlosloures
As escolas deste início do terceiro milénio, nos mesmíssimos moldes das escolas do final do 2º milénio, revelam-se completamente desfasadas da realidade. O tipo de mundo em que nascem-crescem as novas gerações não é mais o dos seus pais-avós. A raiz é a mesma. Não assim o gigantesco sistema que dela brota, agressivamente violento, corruptor, hipócrita, assassino. De modo cruento, em assustador crescendo. De modo incruento, muito mais daninho. Não mata o corpo das crianças-adolescentes-jovens, mata-lhes o Eu-sou único e irrepetível que é cada um deles. Sem que as mães, os pais, cada vez mais casas-vidas separadas, a viver com outras companheiras, outros companheiros, cheguem sequer a aperceber-se. Sem tempo, disposição interior para lhes dedicar. O Grande Mercado, com todo o tipo de meios electrónicos, cada vez mais direccionados para as novas gerações, é hoje o pai-a mãe, o avô-a avó de todos eles. Até o falar deste início do terceiro milénio chama “última geração”, não às filhas, aos filhos nascidos de mulher, mas aos aparelhos nascidos do Grande Mercado. Nem profs-escolas, nem pais-famílias, nem micro-sociedades das aldeias, vilas, cidades do interior estão à altura das exigências que a nobre Arte de Educar hoje nos coloca. O que ontem resultou, é inadequado hoje. Pior, é crime, pecado de preguiça, de rotina. As nossas miúdas, os nossos miúdos sabem tudo sobre novas teconologias. Ignoram tudo, enquanto cidadãs, cidadãos em fase de crescimento. Para cúmulo, os malcriados exemplos que a toda a hora lhes chegam dos governantes das nações, dos líderes dos partidos políticos, dos líderes das igrejas, dos organismos internacionais, produtores de guerras financeiras, as mais mortíferas e as mais aplaudidas, não podem dar bons frutos. Só num clima cultural, social como este, se explica que quem hoje mais agride-mata, se torne viral nas redes sociais. Escolas? Que Escolas? Do crime?!