
Perante o rumo para o abismo que este nosso mundo está demencialmente determinado a seguir, tenho reiteradamente advertido que ou mudamos de ser e de Deus, ou perecemos. O meu alerta está longe de ser catastrofista. É manifestação de lucidez cordial, cada vez mais ausente, senão mesmo totalmente ausente, nos filósofos, teólogos, intelectuais em geral, elas e eles, da nossa praça, apanhados já pelo vírus da ideologia-teologia do Mercado e do seu deus, o Dinheiro. O mal é estrutural e global. Atravessa todas as sociedades, todos os povos, todas as culturas. E corre sérios riscos de não-retorno. Neste caso, nascemos, crescemos, vivemos, agimos para nada. Acabamos planetária e desoladora Descriação. Anti-Big-bang. Não se pense que é um mal estrutural só de hoje. É já de séculos, milénios. Acontece no decurso da Evolução, com o aparecimento dos animais racionais. Não é que o Racional em si seja mau. É um avanço qualitativo na Evolução, quando indissociável da Responsabilidade, uma vez que, com o seu aparecimento, o Planeta e o Cosmos passam a depender totalmente das escolhas, decisões dos seus portadores. Sempre que estas escolhas, decisões se apresentam desacompanhadas dos Afectos, da reciprocidade maiêutica, da relação social e politica ao modo dos vasos comunicantes, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades, acabam inevitavelmente homicidas, suicidas. E, por fim, também geocidas. Impera sempre e só a lei do mais forte, do chico-esperto, numa palavra, do Poder. O Racional sem afectos é intrinsecamente descriador. Pára o Processo da Evolução, iniciado com o Big-Bang. Deixa de haver movimento. Só águas paradas. Muita quantidade, nenhuma qualidade. Tudo o que projectamos, realizamos com ele apresenta-se sem a marca da vida, da fecundidade, exclusiva dos afectos, da reciprocidade, dos vasos comunicantes. Acabamos todos sem Comensalidade. Meras mercadorias. Aqui nos trouxe a ideologia-teologia do judeo-cristianismo-islamismo, o Racional puro e duro. Mudar de ser e de Deus é ousar viver neste tipo de mundo sem jamais sermos dele. Semelhante feito, só se consegue se formos opcionalmente pobres por toda a vida, maieuticamente religados uns aos outros. Praticantes da Fé, da Teologia e da Política de Jesus, o filho de Maria. Plena e integralmente humanos quanto ele.
6 Maio 2016
https://www.youtube.com/watch?v=5PNl6_NZcDc
