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EDITORIAL – O DINHEIRO NÃO TRAZ A FELICIDADE

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Este ditado popular aparece no Livro dos Provérbios, de José Pedro Machado (edição da Casa das Letras, 4ª edição, 2011, pág. 397)), sob a forma O dinheiro não compra a felicidade. Não nos será levado a mal que acrescentemos aqui que, só por si, também não traz ou compra outras coisas, como o progresso, o desenvolvimento ou o saber. Acharão estranho talvez que estes considerandos sirvam de introdução ao tema que hoje vos trazemos. Contudo, após vários anos em que os problemas relacionados com o dinheiro, nomeadamente com o dinheiro público, passaram a ter um papel ainda maior na vida das pessoas, pensamos que concordarão que tem oportunidade.

No vizinho reino espanhol, na comunidade autónoma de Castilla-Mancha, em Ciudad Real, foi construído um aeroporto internacional, com uma pista de mais 4 quilómetros, com ligações previstas às grandes vias de comunicação do país (auto-estradas, combóio de alta velocidade), e inaugurado em 2008. Situa-se a 180 quilómetros de Madrid, e, ao todo, terão sido feitos nele investimentos superiores a mil milhões de euros. Previa-se que movimentasse cinco milhões de passageiros por ano. Encerrou em 2012, tendo movimentado ao todo cerca de 100 mil passageiros nos quatro anos em que funcionou. Gerido por privados, abriu falência, e foi a leilão. Uma firma chinesa ofereceu por ele 10 mil euros, e caso não apareça outra oferta até Setembro, ficará proprietária do aeroporto.

Entretanto, recordamos haver muitos exemplos semelhantes em Portugal. Pensemos neste momento apenas nas auto-estradas, ou na plataforma logística de Lisboa Norte (na Castanheira do Ribatejo), e deixemos de momento de lado outros casos que ocorrem pelo país fora. Pomos a questão: porque não se fazem publicamente as contas aos investimentos empatados naquelas obras e aos prejuízos resultantes pelo erário público? Porque não se esclarece quem ganhou com aqueles prejuízos? Quanto pesaram no agravar da dívida pública? Avançamos daqui com uma ideia: esse esclarecimento público seria o primeiro passo para prevenir “acidentes” de “engenharia financeira” como os acima referidos, se as ilações tiradas fossem aproveitadas, custasse a quem custasse.

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