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EDITORIAL . O Panteão da Liberdade

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As designações de “esquerda” e “direita”, tiveram origem no facto de nas assembleias políticas anteriores e posteriores à Revolução de 1789, os políticos mais conservadores se sentarem à direita da mesa da presidência e os mais radicais à esquerda. Na Assembleia Nacional (1789), as expressões «gauche» e «droite» eram aplicadas respectivamente a republicanos e a monárquicos; na Convenção Nacional (1792), o termo usou-se para distinguir jacobinos de girondinos. Os primeiros eram defensores dos chamados sans-cullotes, os deserdados da fortuna; os segundos eram deputados que representavam a burguesia ilustrada, hesitante entre a monarquia constitucional e a república. Eram gente basicamente semelhante, mas com opções diferentes…

De então para cá, o campo semântico dos dois termos foi-se alargando e especializando, incorporando contributos e empréstimos vindos de todas as áreas do conhecimento e da localização, aleatória, de duas facções nos hemiciclos da França de fins do século XVIII, os conceitos de direita e esquerda saltaram para a liça das grandes lutas sociais e políticas. Mas não se brincava. Não havia pulseiras electrónicas, nem palhaços com trejeitinhos revogando o irrevogável; não havia idiotas investidos de poderes supremos, campónios diplomados com ar solene, exercendo uma pedagogia da imbecilidade manhosa – quem caía em desgraça perdia (literalmente) a cabeça.

Em 28 de Julho de 1794 Maximilien de Robespierre, um velho de 36 anos (hoje viveria em casa dos pais e beneficiaria do programa Erasmus, advogado, chamado pelos amigos  “O Incorruptível” e pelos inimigos o “Tirano” e “Ditador sanguinário”. Nesse dia de Verão de há 221 anos foi guilhotinado. Com a sua execução, a tendência mais radical da Revolução perdia gás. Os burgueses queriam mudar as coisas, mas sem exageros. A Revolução é um exagero desmedido – o poeta Jean-Arthur Rimbaud,  disse ser preciso «mudar a vida» e  Karl Marx, afirmou ser indispensável «transformar o mundo».

Mudar a vida e transformar o mundo significa apenas uma coisa – Revolução. E isso não acontece com diálogos civilizados como os que se travam no Parlamento. O Parlamento nada tem a ver com a Revolução. É um berçário, uma sacristia, um jardim de infância – o local onde se domestica a fúria. Um local civilizado – uma espécie de Panteão…

Dali só sairá luz se incendiarem o antigo convento.

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