Levantava-se com as galinhas. Tudo escuro à volta. Tudo silencioso. E silencioso era ele a preparar-se para sair, para não incomodar quem ainda podia ficar mais um pouco no quente dos lençóis. O café de cevada, a côdea de pão para enganar a fome e dar forças para a labuta. E ala que se faz tarde!
As mãos enregeladas, o nevoeiro entrando por cada buraquinho da roupa que tapava o corpo a caminho do cais, ainda meia hora de percurso. Maldito tempo!
Apanhava o primeiro barco para chegar a Lisboa. Poucos o acompanhavam nesta travessia. Mais um dia de trabalho, mais um dia para esquecer. Mais um dia a sonhar com a única hora que teria para estar com os filhos, ao fim do dia, antes de se deitar a recompor o corpo para o dia seguinte.