
Há ainda, aqui em Portugal e não só, quem pense que a Catalunha é uma simples região de uma Espanha grandiosa e que as pretensões autonomistas mais não são do que sequelas da rivalidade futebolística entre o Barça e o Real., como a que opõe o FCP ao SLB, ou a codícia de uma região economicamente mais rica que se quer libertar do peso negativo de um Sul agrário e mais pobre, como sucede com o Norte de Itália, a rica Padana que «alimenta» a «miserável» Sicília. Para muitos, o catalão, tal como o galego-português, não passa de um mero dialecto do castelhano (ou «espanhol»).

Há quem compare a ânsia independentista do povo catalão ao sentimento de perda que os portuenses experimentam relativamente a Lisboa. Nada comparável – Portugal não faria sentido sem o Porto (de onde advém o nome da Nação). A mágoa dos tripeiros é de raiz regionalista (respeitável e, em muitos casos, justificada) – só pela cabeça de alguns menos serenos pode passar a ideia separatista, eivada de mitos celtas e do uso da classificação disparatada e racista de «mouros».
Não quer dizer que na cabeça de alguns catalães ligados ao mundo da alta Finança essa preocupação economicista não exista; porém, o povo catalão, no seu conjunto, apenas quer ser livre. Diga-se que a Catalunha nunca constituiu um Estado autónomo – Porém, o Reino de Aragão tinha no Principado os seus órgãos de poder mais vitais e na cidade condal a sua corte. E a Catalunha, que se estende para lá dos Pirenéus e ocupa parte de território francês, tem uma extensão cultural que abrange as ilhas Baleares e a região valenciana. A língua catalã tem, pois, três variantes. É este novo Estado que a Europa deverá acolher. A sua bandeira, quatro barras vermelhas em campo amarelo, flutuará entre a das nações livres e independentes.
Ansiamos por vê-la onde merece estar.
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