EDITORIAL – Novamente, a Catalunha na ordem do dia.

Imagem2A Catalunha, se prevalecesse a vontade da imensa maioria dos catalães, seria uma nação independente, soberana – uma República democrática. Mas, pelos vistos, a vontade maioritária de 80% dos cidadãos, expressa em consultas populares que o governo do Estado espanhol entende como ilegais. nunca levará o país à independência. Não se espere que Madrid ceda a região mais desenvolvida de Espanha – e para Madrid, a Catalunha é uma região). No fundo, o verdadeiro problema está dentro da nação catalã – um cavalo de  Troia que explora o proverbial calculismo das classes possidentes catalãs que temem os impactos económicos que a separação acarretará – o Estado espanhol é um mercado privilegiado para o que se produz no país e a separação obrigará a Catalunha a encontrar mercados compensatórios.

Uma Europa que, desde o século XIX, com as três grandes guerras que viveu – a Franco-prussiana, a de 14.18 e a de 39.45, se redesenhou criando múltiplas federações contra-natura,   apagando velhas fronteiras e traçando outras, submetendo povos a velhos inimigos e satisfazendo sonhos imperiais – húngaros dominados por austríacos, germânicos sob a bota prussiana, eslovacos recebendo ordens vindas de Praga, nações balcânicas sob a hegemonia sérvia… A Catalunha, embora nunca tenha sido independente, gozava na  integração no reino de Aragão de um estatuto que fazia do principado a cabeça do reino – Barcelona era a cidade mais importante, e língua, a cultura dominantes eram as da Catalunha e o idioma corrente o catalão.

Em suma, os catalães estão tradicionalmente habituados a ser independentes no seio de espaços onde existem outras nações. Aceitaram os Habsburgo porque os foros, direitos e privilégios da Catalunha se mantiveram (não esquecendo a revolta de 1640). A vitória dos Bourbon em 1714 mudou as coisas e a partir de então, os catalães acusaram o toque da submissão). A II República previa uma federalização que a invasão fascista e a vitória de Franco impediu.

Os portugueses demonstraram uma maior sensibilidade e repugnância pelo domínio estrangeiro – Filipe II era o herdeiro legítimo da coroa portuguesa, falava português sem acento pois bebera o nosso idioma com o leite materno, todas as prorrogativas nacionais foram conservadas nas Cortes de Tomar, mas sempre aqui houve a consciência de que estávamos submetidos a um domínio estrangeiro e que a independência formal era isso mesmo – uma formalidade.

O povo não se resignava e a nobreza só aderiu à luta nacional quando o conde-duque de Olivares, deixou cair a máscara das autonomias e assumiu a hegemonia castelhana, Sobretudo a mobilização de nobres portugueses para a frente catalã, decidiu os fidalgos a dar expressão  nacional à luta pela expulsão dos estrangeiros. O Bragança hesitou, mas lá se decidiu a interromper a actividade musical e  assumir a condução da luta independentista, Salvaguardando as diferenças, os anacronismos e as idiossincrasias, a Catalunha tem um povo que quer ser senhor do seu destino (ou pelo menos ter essa ilusão) e tem «braganças» que fazem contas e que só avançam se isso não os prejudicar demasiado.

Bem podem milhões de patriotas cantar que a Catalunha triunfante/tornará a ser rica e próspera/sustentada por esta gente/tão ufana e tão soberba![…}Bom golpe de foice, defensores desta terra! Os barões da indústria, os poderes fácticos, só decidirão se a independência não causar prejuízo. Um conhecido «patriota» português, O Espírito Santo, Ricardo Salgado, concordava com a integração de Portugal no Reyno de España. porque as áreas metropolitanas de Barcelona e Madrid seriam mercados de eleição para a expansão do seu banco.

Bom golpe de foice. irmãos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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