EDITORIAL – A CATALUNHA EM BREVES PALAVRAS

logo editorialHá ainda, aqui em Portugal e não só, quem pense que a Catalunha é uma simples região de uma Espanha grandiosa e que as pretensões autonomistas mais não são do que sequelas da rivalidade futebolística entre o Barça e o Real., como a que opõe o FCP ao SLB, ou a codícia de uma região economicamente mais rica que se quer libertar do peso negativo de um Sul agrário e mais pobre, como sucede com o Norte de Itália, a rica Padana que «alimenta» a «miserável» Sicília. Para muitos, o catalão, tal como o galego-português, não passa de um mero dialecto do castelhano (ou «espanhol»).

Há quem compare a ânsia independentista do povo catalão ao sentimento de perda que os portuenses experimentam relativamente a Lisboa. Nada comparável – Portugal não faria sentido sem o Porto (de onde advém o nome da Nação). A mágoa dos tripeiros é de raiz regionalista (respeitável e, em muitos casos, justificada) – só pela cabeça de alguns menos serenos pode passar a ideia separatista, eivada de mitos celtas e do uso da classificação disparatada e racista de «mouros». 

Não quer dizer que na cabeça de alguns catalães ligados ao mundo da alta Finança essa preocupação economicista não exista; porém,  o povo catalão, no seu conjunto, apenas quer ser livre. Diga-se que a Catalunha nunca constituiu um Estado autónomo – Porém, o Reino de Aragão tinha no Principado os seus órgãos de poder mais vitais e na cidade condal a sua corte. E a Catalunha, que se estende para lá dos Pirenéus e ocupa parte de território francês, tem uma extensão cultural que abrange as ilhas Baleares e a região valenciana. A língua catalã tem, pois,  três variantes. É este novo Estado que a Europa deverá acolher. A sua bandeira, quatro barras vermelhas em campo amarelo,  flutuará entre  a das nações livres e independentes.

Ansiamos por vê-la onde merece estar.

 

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1 Comment

  1. Prefiro as não tão breves palavras do professor Vicenç Navarro no seu artigo “Análisis delas elecciones; qué ha pasado en Catalunya”, in blogs.publico.es de 30 de Setembro último. Concordo quando ele alerta para que o principal problema da Catalunha hoje não é a questão da independência (que não merece a aprovação da maioria dos catalães) mas sim a enorme deterioração do bem-estar das classes populares, facto obnubilado pela parafernália da discussão independentista. Que beneficia as direitas dos dois lados do Ebro. Permito-me citar da parte final “… E daí que estas divisões, como sempre acompanhadas de grande dose de sectarismo, estejam a causar um enorme prejuízo às classes populares tanto de Catalunha como de Espanha, debilitando as suas defesas e os instrumentos necessários para defender os seus interesses. Estas são as consequências de sobrepor os temas nacionais aos temas sociais. Hoje a Catalunha está polarizada e nunca antes as esquerdas estiveram tão débeis como agora”.

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