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A NOSSA RÁDIO – CELEBRANDO EUGÉNIO DE ANDRADE – NÃO HÁ NINGUÉM À ENTRADA DE NOVEMBRO

Eugenio_de_Andrade_por_Emerenciano_1988
Eugenio_de_Andrade_por_Emerenciano_1988

Não há ninguém à entrada de novembro

Poema de Eugénio de Andrade (in “Branco no Branco”, Porto: Limiar, 1984; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 377)
Dito pelo autor (in CD “Eugénio de Andrade por Eugénio de Andrade”, Numérica, 1997)

Não há ninguém à entrada de novembro.
Vem como se não fora nada.
A porta estava aberta,
entrou quase sem pisar o chão.

Não olhou o pão, não provou o vinho.
Não desatou o nó cego do frio.
Só na luz das violetas se demora
sorrindo à criança da casa.

Essa boca, esse olhar. Essa mão
de ninguém. Vai-se embora,
tem a sua música, o seu rigor, o seu segredo.
Antes porém acaricia a terra.

Como se fora sua mãe.

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas de Eugénio de Andrade (os ditos/recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2015/06/celebrando-eugenio-de-andrade.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

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