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O NOVO GOVERNO SOCIALISTA MANTÉM O POVO PORTUGUÊS SOB A PRESSÃO DA AUSTERIDADE – O TEMPO DA REVOLUÇÃO ESTÁ LONGE, FICA-SE MUITO AQUÉM DAS EXPECTATIVAS,

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Paul Craig Roberts

O novo governo socialista mantém o povo português sob a pressão da austeridade

O tempo da revolução está longe, fica-se muito aquém das expectativas,

 

Paul Craig Roberts, New Socialist Government Keeps Portuguese People Under The Whip

http://www.paulcraigroberts.org, 12 de Novembro de 2015

 

A austeridade imposta aos portugueses pelos 1% dos mais ricos resultou na eleição de um governo de coligação de socialistas, comunistas e do “bloco de esquerda”. No século XX o socialismo e o medo do comunismo humanizaram a Europa, mas a partir de Margaret Thatcher as conquistas de décadas de reformas sociais foram invertidas em toda a Europa, e não só, e os seus governos foram comprados e pagos para darem a preferência em tudo ao que pretendem os 1% dos mais ricos. Os bens públicos estão a ser privatizados, e as pensões e os serviços sociais estão a ser reduzidos, de modo a pagar os juros aos bancos privados.

Quando nas recentes eleições o povo português deu uma maioria para o bloco anti-austeridade, o presidente Português, de direita, Aníbal Cavaco Silva, uma criatura às ordens de Washington e dos grandes bancos, anunciou que aos partidos de esquerda não seria permitido formar um governo, assim como o fez o general britânico sénior ao anunciar que não deveria ser permitido que se constitua um governo trabalhista liderado por Jeremy Corbyn.

Fiel à sua palavra, Cavaco Silva reconduziu o primeiro-ministro da austeridade, Passos Coelho. No entanto, a unidade dos socialistas com os comunistas e o Bloco de Esquerda varreu Passos Coelho do cargo e o presidente tem agora que reconduzir um novo governo.

O novo governo significa que, pela primeira vez desde há muito tempo, existe um governo em Portugal que possivelmente poderia estar ao serviço do seu povo em vez de estar ao serviço de Washington e dos 1 por cento. No entanto, se o novo governo deixa os bancos no comando e se continua comprometido com a UE, o actual presidente, o ex-primeiro-ministro e a ministra anterior das Finanças, Maria Luis Albuquerque, irão continuar a fazer tudo para derrubar a vontade do povo, tal como aconteceu na Grécia.

O novo Governo Português não pode escapar à austeridade sem nacionalizar os bancos e sair da UE. O fracasso do governo grego que se quis aguentar com firmeza contra as políticas de austeridade impostas acabou por resultar em ter de aceitar mais austeridade e isto quando tinha sido eleito para se opor à austeridade até aí imposta e praticada pelos sucessivos governos da Grécia.

A fim de colocar os um por cento dos mais ricos na defensiva, o novo governo Português deve começar por fazer investigações sobre Cavaco Silva, Passos Coelho e Maria Luísa Albuquerque. É possível que estes tenham sido subornados para transformarem Portugal num país saqueado a favor dos um por cento dos mais ricos. O novo governo Português deve voltar-se para os BRICS em termos de comércio e finanças. Caso contrário, como na Grécia, o povo português será derrotado pelos arranjos institucionais que compõem a Ordem Mundial global que os um por cento criaram e mantêm em funcionamento.

Os gregos estão a ser saqueados publicamente e aos olhos de toda a gente pelos um por cento dos mais ricos da Ordem Mundial e o governo grego está a ser obrigado a conduzir o país para uma situação de ruína completa para a Grécia e para o seu povo.

O mesmo vai acontecer com o povo português se o novo governo pensa que pode governar numa estrutura projectada para satisfazer os interesses dos um por cento. Sem uma revolução, os povos ocidentais estão a ficar condenados à miséria e à derrota. Mas não há nenhum sinal de uma revolução em Portugal.

De acordo com o Financial Times, os representantes do novo governo socialista tiverem de dar garantias de que o novo governo não vai abandonar as políticas de austeridade. Mário Centeno declarou: “Não é da direcção que nós discordamos mas sim da velocidade da viagem.”

Centeno é um economista neoliberal formado em Harvard. Ele disse ao Financial Times que o novo governo se comprometeu em permanecer na UE e que iria continuar com o programa de austeridade, apenas impondo-lhe ritmo mais lento, a fim de reduzir os efeitos adversos sobre o emprego. Centeno diz que o novo governo não tem intenção de procurar uma reestruturação da dívida nem de procurar um perdão parcial para a mesma. “Ninguém com bom senso pensa que poderia não pagar as dívidas que contraiu. “

. ” Por outras palavras, as coisas tinham que mudar para assim se pode continuar a ficar tudo na mesma.

No seu novo livro, Killing The Host, o economista Michael Hudson mostra claramente muita coisa mas a mais importante delas é a sua explicação de que, enquanto reinar a economia neoliberal, serão sempre os um por cento dos mais ricos a governar.

No mundo ocidental as democracias tem estado a ser decapitadas. Na Irlanda, Grécia, Portugal, Letónia e nos próprios Estados Unidos, não há nenhuma conexão entre a vontade do povo e as políticas seguidas pelos respectivos governos. Apenas na pequena Islândia o povo fez prevalecer a sua vontade sobre a vontade dos bancos. Em todos os outros países os seus respectivos povos têm sido obrigados a assumir as perdas das apostas do mundo-casino a que se reduz o sector financeiro assim como a assumir como suas as dívidas alavancadas deste mesmo sector.

O que estamos agora a testemunhar é ao regresso dos povos ocidentais à situação de escravatura.

Paul Craig Roberts, New Socialist Government Keeps Portuguese People Under The Whip Portuguese Revolution Falls Far Short. Texto disponível em:

http://www.paulcraigroberts.org/2015/11/12/portuguese-revolution-falls-far-short-paul-craig-roberts/

 

Paul Craig Roberts-curto Curriculum Vitae:

Dr. Roberts has held academic appointments at Virginia Tech, Tulane University, University of New Mexico, Stanford University where he was Senior Research Fellow in the Hoover Institution, George Mason University where he had a joint appointment as professor of economics and professor of business administration, and Georgetown University where he held the William E. Simon Chair in Political Economy in the Center for Strategic and International Studies.

Public Service

President Reagan appointed Dr. Roberts Assistant Secretary of the Treasury for Economic Policy and he was confirmed in office by the U.S. Senate. From 1975 to 1978, Dr. Roberts served on the congressional staff where he drafted the Kemp-Roth bill and played a leading role in developing bipartisan support for a supply-side economic policy. After leaving the Treasury, he served as a consultant to the U.S. Department of Defense and the U.S. Department of Commerce.

 

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