SINAIS DE FOGO – ASSIS TAMBÉM GOSTA DE COELHO – por Soares NOVAIS
joaompmachado
Desenganem-se todos aqueles que pensam que o Dr. Assis só gosta de leitão. Não ele também gosta de Coelho. Basta ler o que escreveu, no Público, a propósito do sócio maioritário da extinta PaF, para o confirmar: “Revelou carácter e até uma certa obstinação que é própria dos líderes políticos.”
Mais, Assis prevê para o amigo Coelho um futuro risonho, sendo que o único problema poderá ser o de estar “demasiado próximo do Governo” em algumas matérias. “Confrontar-se-á nessas condições com a contradição entre os seus deveres de homem de Estado e as tentações de chefe partidário” diz, para logo avisar:
“Não será fácil a escolha, mas será precisamente nesses instantes que se vai decidir inteiramente o seu futuro”, sentencia.
Assis, também elogia o sócio minoritário de Passos na extinta geringonça: “Portas fez bem em abandonar a liderança do CDS”, proclama, para logo elogiar:
“O CDS tem hoje provavelmente a melhor primeira linha parlamentar da Assembleia da República”. E isso, sublinha, graças à acção directa daquele que considera ser “o líder mais carismático de sempre do CDS.”
Ao invés, aquele que é um dos mais destacados apoiantes da candidatura de Maria de Belém – tal qual acontece com a esmagadora maioria dos “socialistas” que gostam de negociar ao centro… -, continua a manifestar todo seu azedume por haver um governo do PS com o apoio parlamentar do Bloco, PC e “Verdes”.
Escreve o douto amarantino que será António Costa a escolher o momento do fim do Governo que chefia, mesmo antes da apresentação do Orçamento para 2017, em Outubro.
“António Costa para ter sucesso, terá de ter condições para escolher o tema e o momento da crise política anunciadora do seu fim. É aí que tudo se vai jogar e tal poderá suceder muito mais cedo do que antevê a maioria dos especialistas”, diz Assis que assume, assim, sem qualquer rebuço, a sua condição do mais sábio dos videntes.
Sobre a herança deixada pela geringonça dos seus amigalhaços Coelho & Portas nem uma palavra. O desemprego, os cortes na Educação e Saúde, nas reformas e nas pensões, bem como a factura de três mil milhões do Banif que agora temos de pagar, são coisas que escapam à hermenêutica de Assis.
Tal qual acontece em relação a Cavaco:
“É ainda demasiado cedo para fazer uma avaliação verdadeiramente objectiva de um homem que marcou de forma determinante os últimos trinta anos de vida política nacional”.
Percebo-o bem: o antigo professor de província há muito que fez do Parlamento Europeu a sua zona de conforto e escolheu o seu lado…