ZONAS CERCADAS NA SÍRIA EM SITUAÇÃO A NECESSITAREM DE AJUDA HUMANITÁRIA URGENTE por clara castilho
clara castilho
Finalmente uma caravana de ajuda humanitária entrou há dois dias na cidade síria de Madaya, onde milhares de pessoas estão cercadas e onde, de acordo com as Nações Unidas, já terão ocorrido mortes devido à fome. O cerco durava há seis meses.
Testemunhos prestados por habitantes de vilas cercadas na Síria à Amnistia Internacional davam conta de um desespero total na busca por alimentos, especialmente com a chegada do inverno, dando renovado ênfase à necessidade imperativa de que seja permitido o acesso de ajuda humanitária sem nenhumas restrições a todos os civis que carecem de assistência, assim como ao fim dos cercos das populações em todo o país.
A mais falada tem sido a cidade de Madaya onde os civis esfomeados descrevem que as famílias estão a sobreviver com pouco mais do que folhas das árvores e arbustos e água fervida. De acordo com o director da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África, Philip Luther, ““Estes angustiantes testemunhos da fome pela qual as pessoas estão a passar representam apenas a ponta do icebergue. Os sírios estão a sofrer e a morrer por todo o país porque a fome está a ser usada como arma de guerra, tanto pelas forças do Governo sírio como pelos grupos armados. Ao continuarem a impor cercos sobre as áreas civis e só muito esporadicamente e a seu bel-prazer permitindo a entrada de assistência humanitária, estão a agravar a crise e a brincar com as vidas de centenas de milhares de pessoas”. O perito da organização de direitos humanos frisa que “o uso da inanição de civis como método de guerra é um crime de guerra”. “Todas as partes envolvidas no conflito que estão a cercar áreas civis – o Governo e grupos armados não ligados ao Estado – têm de parar imediatamente de impedir a chegada de fornecimentos de emergência às populações e permitir um acesso sem nenhumas restrições à ajuda humanitária”, insta ainda.
As cidades adjacentes de Madaya e Boukein, para oeste de Damasco, a capital síria, estão sob cerco desde julho de 2015 por forças governamentais. Cerca de 40.000 pessoas estão encurraladas nestas duas cidades, sem fornecimentos de eletricidade nem água canalizada.
A ajuda humanitária tinha sido entregue pela última vez em Outubro de 2015 e entretanto já há muito que se tinha esgotado. Um cessar-fogo acordado em setembro do ano passado visava garantir um acesso sem limitações à assistência e a deslocação de civis feridos – mas nada disto foi concretizado.
Quem tenta ajudar e fazer entrar alimentos nas localidades já foi executado.
A Avaaz pôs a correr uma petição: “Na cidade sitiada de Madaya (Síria), famílias estão literalmente morrendo de fome, comendo as folhas das árvores e gatos para tentar sobreviver. Uma trégua foi negociada no ano passado, mas os civis continuam isolados. A Turquia e o Irã poderiam trabalhar com aliados para suspender o cerco, mas não agirão sem apoio. Se reunirmos um milhão de vozes pressionando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a intervir e trabalhar com os envolvidos no conflito e acabar com o bloqueio, podemos evitar que milhares de famílias morram de fome.