Costuma dizer-se como remate de qualquer coisa que não corre bem – «as coisas são como são». É verdade, mas não há dúvidas de que podiam ser diferentes. No processo histórico houve encruzilhadas em que o acaso, um pormenor, definiu um caminho que podia ter sido outro.
Imagine que não há religiões e que os seres humanos são educados na convicção de que ajudar e respeitar os outros é um imperativo – sem promessas de paraísos e ameaças de infernos. Imagine um mundo sem fronteiras, todos falando o mesmo idioma, sem chefes nem subordinados porque cada um sabe o que tem a fazer; imagine que não existe dinheiro e que se precisa de roupa a vai buscar e o mesmo para tudo o que necessita; imagine que o seu trabalho pode ser feito em casa usando a internet e que se precisa de se deslocar o faz em transportes públicos; imagine que não há escolas e que cada um faz o seu plano de estudos indo até onde a sua inteligência e capacidade o puderem conduzir, com oficinas, estúdios, laboratórios onde pode obter a capacidade de exercer a actividade que escolheu. Um aprofundamento do conceito de ética é a única matéria comum.
Filósofos, como José Luis Sampedro, Paul Lafargue, Alfred Jacquart e tantos outros, ex puseram teorias de alternativas ao sistema; o marxismo é uma alternativa tímida – usa o sistema existente, mas pondo-o ao serviço dos trabalhadores- é a consumação da doutrina cristã. John Lennon foi mais longe – preconizou uma sociedade sem big brothers ou good brohters. Com seres humanos.