Estamos habituados a tratar a política nacional num plano diferente da política internacional. Essa separação continua evidentemente a ter razão de ser, mas em 2013 já não pode ser abordada do mesmo modo do que há quarenta anos. É mesmo duvidoso mesmo que a atitude possa ser a mesma que há cinco anos.
Os problemas que se nos deparam são diferentes. Quem poderia imaginar há cinco anos atrás que em 2013 os portugueses teriam de estar a ponderar a saída do euro. Contudo torna-se cada vez mais evidente que se a Alemanha e alguns outros países europeus, a muito curto prazo, não alterarem profundamente as suas atitudes em relação aos outros países europeus, a zona euro terá de ser tratada como uma armadilha, que serve sobretudo os interesses de um ou mais países com um economia poderosa, e que de há anos a esta parte desenvolveram uma política mais consistente com interesses nacionais do que com uma eventual unificação europeia, ou ainda menos com o interesse dos povos europeus.
Este é talvez um dos temas principais para a vida dos portugueses nos tempos mais próximos. Só será excedido em importância pela escolha de um novo governo, que o actual já não deve ter muitos apoiantes, nem nas fileiras dos partidos que teoricamente o suportam. A incapacidade que Passos/Portas/Gaspar têm revelado em perceberem (será antes indiferença?) o desastre que tem sido a sua governação torna o caso cada vez mais grave e difícil, pois não parecem muito inclinados a demitirem-se.
Precisamente, em todo este panorama, pesa cada vez mais a situação internacional, com destaque claro, para o drama europeu. Os passos dados nos últimos anos fazem com que as opções portuguesas estejam cada mais condicionadas pelo que se passa no resto do mundo, a começar pelo resto da Europa. Uma eventual saída do euro terá de ser acompanhada por uma série de medidas de salvaguarda, imprescindíveis para garantir um mínimo de bem-estar aos nossos cidadãos. Entre outras coisas terá de ser feita em articulação com outros países europeus (e de outras partes do mundo, evidentemente), nomeadamente os que se encontram em situações semelhantes à nossa. É indispensável acompanhar com especial atenção o que se passa em Espanha e Itália, para além da Grécia, Chipre, Irlanda e outros que têm estado a passar sob as forcas caudinas do resgate financeiro, ou disso ameaçados. As potências dominantes vão neste caso como noutros quererem condicionar as decisões a serem tomadas. E estarão prontas a exercer retaliações.

