Site icon A Viagem dos Argonautas

FRATERNIZAR – Chegou a vez de Frei Bartolomeu dos Mártires! A QUEM INTERESSA MAIS UM SANTO PORTUGUÊS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Demorou, mas acabou por chegar lá. Frei Bartolomeu dos Mártires, português minhoto do século XVI – estamos já no século XXI , senhores eclesiásticos!– é o novo santo que o papa Francisco, na sua infalibilidade papal, decidiu fabricar. Inclusive, sem necessidade da prova do famigerado “milagre”. O Frei minhoto foi dispensado de ter de arranjar um milagre, se queria ter as honras do altar. Honras de altar que são uma vergonha e, talvez por isso, ele nunca se terá dado ao trabalho de passar nessa prova exigida pela Cúria romana. O papa Francisco, como se sabe infalível, embora não o apregoe aos quatro ventos, porque parece mal, não esteve com mais aquelas. E já que a arquidiocese de Braga, em pleno século XXI, insiste tanto em ter um dos seus bispos do século XVI canonizado, pois então que a sua vontade seja feita. Contanto que, já se vê, pague bem pago por isso. Uma pequena fortuna, ao que se sabe. E não se sabe tudo! Tanto mais, quanto a arquidiocese ficou dispensada de andar por aí a ter de arregimentar uma doentinha que se dispusesse a pedir a cura dos seus achaques ao antigo bispo de Braga, que ela nunca conheceu, nem podia conhecer, dados os séculos que nos separam dele e do seu ser-viver de bispo na hsitória. E garantir, depois, a pés juntos que foi, graças ao beato Frei Bartolomeu dos Mártires que ficou curada. O cúmulo do ridículo, da vaidade e da pouca vergonha!

Felizmente, são cada vez menos hoje as pessoas doentes que recorrem a santos de altar ou candidatos a santos, para se verem livres dos seus achaques. A Medicina e os profissionais de saúde são cada vez mais reconhecidos no que respeita a tratar as doenças e há muito que tornaram inúteis as orações que antigamente se fazia aos santos de altar. Orações sem qualquer valor, uma vez que nunca tiveram, nunca terão qualquer destinatário. Os santos de altar são obra das mãos de santeiros mais ou menos habilidosos. Sem qualquer valia, nem sequer artística. E, enquanto permanecerem nos altares das igrejas católicas, estão a atestar o mau gosto dos católicos, nomeadamente, dos bispos das dioceses e dos párocos. Estão lá, como poderiam, estar em seu lugar os troncos das árvores que os santeiros utuilizaram para os fabricarem, ou os moldes a que recorreram. O efeito seria o mesmo, porque o que conta neste tipo de fé religiosa sem um pingo de dignidade humana é a mente enfraquecida e assustada das populações mais carenciadas e desamparadas.

Na sua impotência perante as doenças e sem dinheiro para recorrerem a grandes clínicas nos grandes centros do país ou mesmo no estrangeiro, atribuem àquelas toscas imagens capacidades que as imagens não têm e que só mesmo elas próprias, as populações mais carenciadas, têm dentro delas, ainda por despertar. O que são levadas a procurar fora, é, afinal, dentro delas que se encontra. Só que a fé religiosa, intrinsecamente alienação, por isso, pecado, leva-as a pensar que é naquelas imagens ou noutras em grandes e sumptuosos santuários que essas capacidades estão. Nem os bispos, nem os párocos, nem o papa de turno, alguma vez as esclarecem-evangelizam. Aliás, se o fizessem, que seria deles depois? Onde iriam encontrar clientes para os seus cultos religiosos, os seus ritos, as suas missas pagas e bem pagas, os seus altares, as suas alfaias? E de que iam continuar a viver-enriquecer-ter nome da praça?

O papa Francisco, na peugada de João Paulo II, não está com meias medidas, tão pouco sabe o que sejam escrúpulos. Se o Vaticano precisa de dinheiro, muito dinheiro para prosseguir nos seus luxos e nas suas vaidades, ele aí está para dar as duas mãos, se necessário for. E fabrica santas e santos em série. João Paulo II bateu todos os recordes, mas o papa Francisco não lhe quer ficar atrás. E só não bate o recorde de João Paulo II, porque não terá um pontificado tão longo quanto ele. Ainda assim, bem se pode dizer que não lhe fica atrás, dado o escasso tempo de que dispõe como chefe da Cúria romana. O seu declínio já é manifesto. Como é manifesto que já está praticamente esgotado. Entrou de rompante, mas sairá quase sem darmos por isso. Uma coisa, porém, ele já conseguiu, como João Paulo II. Já conseguiu vir a ser santo de altar, não muito tempo depois de se tornar definitivamente vivente, por isso, já sem nada desta tralha de papa que agora ainda tem. A Cúria que está a ganhar tanto dinheiro com o seu pontificado não se fará rogada e saberá ganhar muito mais, ao fazê-lo santo de altar, logo depois de sepultar com pompa e circunstância, o seu cadáver. Sem que ele tenha de esperar os séculos que Frei Bartolomeu dos Mártires teve de esperar.

Desde modo, a arquidiocese de Braga tem em breve mais um santo entre os seus bispos. E quem canoniza um, canoniza um cento, como quem faz um cesto, faz um cento. Investe muito para fazer este santo, mas conta recuperar depressa o investimento e, com os lucros que o culto do novo santo lhe garante, bem poderá investir em mais outros novos santos. Já agora, não precisa de esperar tanto tempo. Com jeito e muito dinheiro, facilmente convence a Cúria romana a canonizar os arcebispos todos do século XX, com destaque para aquele que fez dupla com o famigerado cónego Melo e abençoou a destruição pelo fogo da sede do PCP no centro de Braga.

O arcebispo Ortiga anda descuidado e nem parece ter entendido que esse seu antecessor é que merece ter honras de altar. E não é preciso nenhum milagre, para lá do milagre de ter conseguido fazer desaparecer da velha cidade dos arcebispos e da proximidade da velha Sé de Braga a provocadora sede do PCP. Ande da perna, senhor arcebispo Jorge Ortiga, e pode ser que o papa Francisco ainda lhe faça esse jeito, antes de concluir o seu mandato papal.

A operação é tanto mais oportuna, quanto vem ajudar a neutralizar por completo o perigo que a canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires pode trazer à arquidiocese e à igreja em Portugal. Se, com esta canonização, as populações mais jovens se meterem a investigar quem é este Frei e toparem com a dimensão profética e politicamente subversiva do seu ser-viver episcopal, os arcebispos de Braga e os outros bispos do país ainda se vão arrepender de o terem trazido à ribalta. Porque se houve bispo mais incómodo e canonicamente subversivo foi, é, Frei Bartolomeu dos Mártires.

Comparados com ele, os bispos portugueses de hoje simplesmente não são. O que fazem e dizem é menos do que nada. Melhor fora, por isso, que nunca tivessem nascido. Não são frios nem quentes. Como tal, são vomitados pelo Deus que nunca ninguém viu, o mesmo de Jesus e dos 4 Evangelhos em 5 volumes, mais o Livro do Apocalipse. Uma nulidade-tristeza de partir a alma a quem, ao contrário deles, decidiu viver, como Frei Bartolomeu dos Mártires, à intempérie e longe de todos esses locais estéreis e de idolatria, que são as catedrais, os templos e os altares.

http://www.jornalfraternizar.pt

 

Exit mobile version