FRATERNIZAR – A pergunta que ninguém ousa formular -IGREJAS: UM BEM OU UM MAL ESTRUTURAL?! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Com o terceiro milénio acabado de chegar à maioridade, as igrejas cristãs são hoje olhadas-experimentadas como um Bem ou um Mal estrutural entre os povos? Houve tempos em que a Europa e o Ocidente se orgulhavam das suas raízes cristãs. Os países onde elas estavam plantadas orgulhavam-se de serem outras tantas mátrias-pátrias dos grandes valores morais, das grandes virtudes cristãs, terras de mártires, de heróis e de santos. Até Martinho Lutero, séc. XVI, que introduz no coração da Cristandade o vírus da divisão, reina e impera a igreja católica de Roma, definida pelo imperador Constantino e o seu Credo de Niceia-Constantinopla, como ‘una, santa, católica e apostólica’. As populações, formatadas pelos clérigos, não tinham escolha. Nasciam católicas, viviam católicas, morriam católicas. E nem depois de morrer, deixavam de ser católicas. Ou no céu, onde, desde então, passam o tempo a ver deus e a louvá-lo numa liturgia sem fim. Ou no purgatório, onde as suas ‘almas’ tinham de arder por um espaço de tempo mais ou menos longo até entrarem no céu. Ou a arder no inferno, sem nunca mais poderem de lá sair. De modo que todos os que tenham morrido em pecado mortal, ainda hoje lá estão a arder. Embora já ninguém se lembre deles, à excepção dos que morreram nas fogueiras da Inquisição. Para poderem servir de exemplo e de dissuasão a potenciais ‘dissidentes’.

Para espanto meu, andam agora certos teólogos de renome, entre os quais os meus dois amigos Pe. Anselmo Borges e Frei Bento Domingues, a congratular-se, por, finalmente, o nosso século XXI conhecer um papa cristão, oriundo da Argentina. Onde, devido à sua avançada idade, já estava dado como incapaz de presidir à diocese de Buenos Aires. Mas como também é cardeal, acabou por ser dado como capaz de presidir à diocese imperial de Roma e, por via disso, a toda a igreja católica no mundo!!! E não é que estes meus dois amigos teólogos cantam loas ao papa, sem sequer verem – o fanatismo cristão que mentalmente professam cega-os e de que maneira – que Jorge Mário Bergóglio, para poder ser papa, teve, primeiro, de ser morto como filho de mulher, para, em seu lugar, surgir o papa Francisco, filho do Poder imperial de Roma. E não é que, no seu entender, a grande missão deste papa cristão é fazer cristãos os cardeais, os bispos residenciais e os poucos párocos que teimam em gastar a vida a repetir estéreis ritos, sempre os mesmos?

Vejo, oiço e leio, não posso deixar de me indignar e denunciar-alertar. Os povos têm de saber que Jesus Nazaré, o filho de Maria, não é, nunca foi cristão. E o que mais combate no seu curtíssimo viver político militante, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, no seu país natal é precisamente o mito chamado messias, que na escrita e fala grega de então, se traduz por ‘cristo’. Um mito criado pela casa-dinastia de David-Salomão, a mesma que manda escrever a Bíblia com o objectivo não declarado de justificar todos os seus crimes e todas as suas ambições de dominar os povos do mundo. Um objectivo que o actual Estado de Israel e o seu primeiro-ministro em funções, Benyamin Netanyahou, continuam a buscar por todos os meios, inclusive, os massacres que forem precisos.

A esta luz, ninguém já liberto dos fanatismos religiosos cristãos e católicos, pode dizer que as igrejas actualmente existentes são um bem entre os seres humanos e os povos. Têm todas na sua origem um pecado estrutural. Para serem e se afirmarem, têm de fazer cristãos, a bem ou a mal os nascidos de mulher e com isso matar a originalidade única e irrepetível de cada ser humano. São todas, no lúcido ver-dizer de Jesus Nazaré, aquele tipo de sal estragado que está aí só para corromper a sociedade e, assim, matar a especificidade de cada ser humano e de cada povo. Daí o meu voto neste início de novo ano – Um 2019 sem cristãos. Sem igrejas. Sem sacerdotes. Sem templos nem altares. Sem livros sagrados. Apenas seres humanos e povos maieuticamente religados uns aos outros ao modo dos vasos comunicantes. Sim, porque urge passar da escuridão de milénios à Luz!

 

www.jornalfraternizar.pt

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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