UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (123)
José Fernando Magalhães
AS BRUMAS DA MINHA CIDADE
Este Inverno, que de Inverno teve muito pouco, está a chegar ao fim. Ao contrário de outros anos, as temperaturas desceram pouco, a chuva chegou com boas abertas e o vento não nos castigou demasiado. Isto, claro, na minha cidade, que lá mais para o interior, as coisas podem ter fiado mais fino. Estamos no mês da Flor da cidade do Porto, a Camélia, e sobre ela já por aqui disse algumas coisas. Mas nem só de Japoneiras e suas flores vive o Porto nesta altura. Temos as brumas de sempre, maravilhosas, fantasmagóricas, fotogénicas e muitas vezes românticas, que fazem a delícia de quem nos visita e trazem à cidade o seu ar bucólico e suave.
BRUMAS
Porto – A cidade das Brumas, mágica e mística. Visitar o Porto neste fim de Inverno, ainda na época alta dos nossos nevoeiros, é um acontecimento fora de série, não só para os turistas que dia-a-dia nos visitam, como especialmente para nós, residentes ou que aqui trabalhamos. Deixe-se maravilhar pelos monumentos, os jardins, as pontes e o rio, a nossa praia e o nosso mar. A nossa cidade, envolta em brumas e névoas em muitas das manhãs de Outono e Inverno torna-se parte da nossa inspiração e da nossa existência, trazendo-nos harmonia e unidade. Com elas, as brumas e a cidade, tornamo-nos melhores e com melhor nível de vida. Olhemos com mais atenção os nossos monumentos e percorramos os locais com simbologia oculta e esotérica especial, que os há. O Porto sempre foi uma cidade mística por natureza, relicário de muitas lendas e aspectos simbólicos.
IGREJA DE SÃO FRANCISCO
A Geometria de origem Maçónica presente na construção da Sé Catedral, a Geometria Sagrada da Ponte Luís I e das janelas da Igreja de São Francisco, sendo porventura uma linguagem mais próxima da criação, são exemplos que, apreciados e vistos de um ângulo diferente do que normalmente são olhados, podem contribuir para o nosso desenvolvimento interior.
PONTE LUÍS I
E as brumas, e então as brumas? As brumas dão à nossa cidade, aquele ar chuvoso, nevoento e taciturno que faz aumentar o seu encanto, que transforma o passado em presente e nos dá uma cadência de vida tranquila.