CRÓNICA DE DOMINGO – AMIGOS, por Carlos Reni da Silva Melo
joaompmachado
Há muita suposição falsa de que se pode escolher os amigos e de que é possível ter tantos quantos se deseja. Deve-se guardar muito respeito quando se fala nessa palavra. Não faz o menor sentido confundir companheiro ou colega com amigo, vez que pode-se ter centenas de colegas/companheiros/vizinhos antigos e, dentre eles, apenas um ou dois amigos. É inteiramente falso supor que se pode escolhê-los, pois as leis do universo são inexoráveis e estão acima de tudo. Na verdade, somos destinados uns aos outros tal como os planetas estão destinados ao sol. As almas têm seus próprios caminhos, que não são desvendáveis pela razão e, quando se sente grande atração ou simpatia ao conhecer determinada pessoa, em realidade são suas almas que estão se reconhecendo e são elas que escolhem os amigos, por motivos que não é dado conhecer. Mais uma vez deveis confiar na voz interior e seguir os seus ditames, e havereis de saber, sem a menor sombra de dúvida, quem é vosso amigo.
Resulta inteiramente inútil querer tornar-se amigo de pessoas com as quais não se tem afinidade. Tudo não passará de polidez e fraternal respeito. Não significa que não se deva amar ao próximo, pois devemos tratar a todos com amor, mas, na verdadeira amizade, há algo mais do que isso: são almas que, por impenetrável mistério, estão vibrando em uníssono e se fortalecendo mutuamente. Portanto, não se pode escolhê-los. São as almas que o fazem e, se observardes atentamente, podereis verificar que os verdadeiros amigos estão dentro do vosso coração, não importando, pois, nem o tempo, nem a distância. À guisa de exemplo, por diversas razões não consigo visitar aos amigos PAULO ROBERTO DE ABREU e família, assim como ao PAULO SCHENINI, mas duvido que exijam que eu esteja presente para manter nossa antiga amizade. O amigo o há de ser onde estiver, independentemente da vontade de cada um, e vossa alma se fortalecerá com o seu auxílio, mesmo que não esteja fisicamente presente. À medida em que se evolui na senda, torna-se cada mais perceptível a fragilidade das coisas externas e a firmeza dos domínios da alma. Faz parte dos desígnios sermos auxiliados, também, por amigos invisíveis que não conheceis, quer estejam vivendo no plano físico, quer não. (Neste instante, sinto que estou sendo ajudado pelo velho amigo XENO, cuja amizade data desde 1978 e nem faço ideia por onde anda). Devemos, portanto, fazer-mo-nos presentes, à medida do possível, na vida dos nossos verdadeiros amigos, não apenas quando estão bem, mas, e principalmente, quando precisam de alguém em quem confiam. Entendo que devemos defender aos nossos amigos, bem como aos nossos familiares -principalmente aos nossos pais- independentemente dos seus males ou de acusações que receberem.
A verdadeira amizade tem, também, suas leis próprias de respeito, honestidade e sinceridade. Do contrário, os amigos se haverão de afastar, embora temporariamente. Os acontecimentos se sucedem, tudo se transforma, o ambiente, o físico, as ideias, os lugares, mas ao cabo de determinado tempo será dado verificar que as verdadeiras amizades permanecem firmes como rochas. Confiai, portanto, no verdadeiro amigo. Sede sinceros e guardai-lhe lugar dentro do vosso coração e ele poderá prestar enorme auxílio em vosso desenvolvimento espiritual.