EDITORIAL: Passou ontem o aniversário do «General sem medo»
carlosloures
O general Humberto Delgado nasceu em 15 de Maio de 1906 na freguesia da Brogueira, Torres Novas, Santarém. Iniciou a carreira de oficial na Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas e participou no movimento militar que em 28 de Maio de 1928 implantou a Ditadura Militar que em 1933, iria daria lugar ao Estado Novo. Foi um exaltado apoiante do salazarismo, assumindo em 1941 o seu apoio ao nazismo. Como terá um militar que ocupou numerosos cargos oficiais e apoiou a extrema-direita, tendo sido comandante da fascizante Legião Portuguesa, a transformar-se numa das mais eficazes e carismáticas figuras do anti-salazarismo?
Houve grande surpresa quando, convidado por personalidades opositoras a Salazar para se candidatar à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime, o almirante Américo Tomás, aceitou. A campanha que a esquerda, nomeadamente o PCP, fez,contra ele, em face do que até então haviam sido as suas posições públicas, foi violenta. Até que se generalizou a convicção da sua honestidade e coragem. Para transformar Delgado num ídolo, foi crucial a conferência de imprensa que deu naquele sábado, 10 de Maio de 1958, no café Chave de Ouro, em quando lhe foi provocatoriamente perguntado por um jornalista que, caso fosse eleito, o que faria a Salazar, respondeu; Obviamente, demito-o!“.
Não vamos biografar a figura de Humberto Delgado. queremos apenas um recordar e homenagear o homem que até o bando de assassinos da PIDE, chefiado pelo facínora Rosa Casaco, o ter morto em Los Almerines, nas proximidades de Olivença, foi um farol de esperança que se acendeu na longa noite do fascismo.