RETRATOS COM HISTÓRIAS – SPÍNOLA – POR EDUARDO GAGEIRO

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António Spínola. 1974. “É a fotografia premiada no World Press Photo em 1975”.

Spínola foi desde sempre olhado com desconfiança pelos antifascistas. Germanófilo, acompanhante da División Azul de Muñoz Grandes no cerco de Leninegrado, teria méritos como militar, mas politicamente foi considerado como um homem do regime salazarista, regime que procurou salvar com a solução federalista para as colónias. Alguém lhe chamou (no 11 de Março) «histrião sinistro», referindo as poses teatrais que assumia nos discursos. No seu livro Capitão de Abril, Salgueiro Maia conta o episódio do Quartel do Carmo, em 25 de Abril de 1974, descrevendo assim a intervenção de Spínola; «O general Spínola chegou com Dias de Lima, não respondeu sequer ao meu cumprimento militar e assumiu o ar de quem tinha ali sido chamado para resolver uma situação crítica com a qual pouco tinha a ver. Perguntou-me como podia garantir a segurança de Marcello e dos ministros. Declarei que numa Chaimite. (…) foi falar a sós com Marcello e veio de lá com o ar de dono da guerra.» (CL/MS)

1 Comment

  1. Méritos como militar não parece ser coisa muito certa de afirmar-se.. A encenação não basta para fazer um militar recomendável. O monóculo e o pingalim não são – nunca terão sido – propriamente, virtudes militares, talvez, até sejam. o seu contrário. Pede-se-lhes muito mais e, como penso, ao arrepio das opiniões dominantes, cada vez mais. CLV

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