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EDITORIAL – Para quem cantaste, Castro Alves?

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Cantei naqueles dias contra o inferno,

contra as afiadas línguas da codícia,

contra o ouro encharcado em sofrimento,

contra a mão que empunhava o chicote,

contra os senhores das trevas.

 

Pablo Neruda, Canto General, Castro Alves del Brasil

 

O Brasil vive um momento difícil da sua História. No entanto é também verdade que o grande país irmão nunca teve períodos fáceis. Nações como a China, a Índia, o Brasil, com territórios gigantescos, recursos naturais de grande valia, índices demográficos elevados e assimetrias sociais que vão da miséria mais negra à riqueza mais dourada, tornam-se ingovernáveis; e a ingovernabilidade é agravada pela cupidez dos ricos que querem ser ainda mais ricos e pela baixa preparação cultural de elevadas camadas da população que, ou trabalham por salários baixíssimos, ou nem sequer trabalham e criam uma estrutura social paralela, baseada em actividades marginais – prostituição, narcotráfico, crime…

Não foi por acaso que escolhemos a companhia da China, onde um partido que se diz comunista, impõe pelo terror a ordem e a paz social, mesmo que uns camaradas se desloquem em carros topo de gama e outros patinhem na lama, e a Índia, onde a assimetria social,  o sistema de castas, são tradição milenar; digamos que na Índia, o luxo coabita com a mais negra miséria, mas, «sempre foi assim».

Um outro exemplo é o da Indonésia, onde um socialismo que procurava impor alguma equidade social, foi banido com violência apoiada pelos americanos em favor de uma «democracia» onde a livre iniciativa abriu as portas da proverbial desigualdade que é lei no chamado Terceiro Mundo.

O Brasil não se enquadra em nenhum destes modelos.

Pese embora o convívio perverso entre favelas e condomínios de luxo, pelo menos nas grandes cidades, o brasileiro comum possui uma cultura média-elementar que não é inferior à dos norte-americanos e talvez só seja superada pela Argentina.

O nosso blogue recusa-se a tomar partido. Ou antes, comungamos com Castro Alves.  Os colaboradores brasileiros têm uma garantia – desde que não desçam ao insulto, são livres de exprimir a sua opinião.

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