Dizemos desde o primeiro dia – as causas independentistas da Península que coabitamos com o Estado espanhol têm todo o nosso apoio; outra questão de princípio é não falarmos de futebol; por razões óbvias – a vitória da selecção portuguesa no Europeu – temos ultimamente feito referências ao chamado «desporto-rei», mas sem quebrar a nossa regra de ouro que é falar de futebol numa perspectiva clubista – por exemplo, temos apresentado biografias de grandes futebolistas – Peyroteo, Eusébio, Pepe, Pinga…
Por outro lado, um comentário de um leitor, cidadão do «Reyno», levou-nos a preparar um artigo sobre este tema . o da espanholidade. Por isso, a polémica levantada em torno de palavras do grande jogador do Barcelona, Carles Puyol, permitem-nos introduzir esse artigo extenso em que abordamos a questão da espanholidade pondo em confronto o sentido correcto – o de sermos gente nascida na Hispaniae e no sentido errado -o de designar por Espanha uma parte do território a que se pode legitimamente assim designar, quando consideramos a totalidade.
Antes de mais, queremos manifestar a nossa perplexidade por, conhecendo as legítimas aspirações dos catalães em recuperar a independência perdida em 1714, haja quem por dinheiro aceite representar o Estado que oprime a Catalunha – grandes jogadores, maus patriotas (não vamos ao ponto de lhes chamar traidores). E não é com vulgaridades ordinárias como o gesto dissimulado de Piqué enquanto soava a «marcha real». hino que por alguma razão não tem letra, que os catalães, aragoneses, bascos ou galegos ultrapassam a contradição de envergar a camisola do estado opressor, de disputarem a «taça do rei».
Carles Puyol num anúncio para a televisão chinesa, promovendo as transmissões dos jogos da Liga, termina com as palavras: «Soy Carles Puyol, soy español». É óbvio que devia dizer «sou catalão». Mas a verdadeira traição de Puyol não está em afirmar-se espanhol – natural da Hispaniae, España – A traição foi dizê-lo em castelhano.
Para avaliarmos o amor dos catalães pela Espanha, lembremos a monumental assobiadela dedicada ao hino «nacional», quando da final da «Copa del Rey», no Camp Nou de Barcelona.