Site icon A Viagem dos Argonautas

BURKINI por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Não sai das notícias da televisão nem dos jornais a imagem da criança em choque após um bombardeamento na Síria e associada a ela vem-nos à memória o menino sem vida deitado na areia de uma praia que o acarinha e o recebe com braços de areia…

Os bombardeamentos continuam e continua a violência contra as crianças, mulheres, idosos, homens, animais, casa…contra tudo e contra todos.

Todos os dias se destroem vidas humanas, todos os dias se destroem aldeias, cidades, todos os dias se destrói o Hoje.

Para quê pensar no futuro?

Estas crianças não conheceram o passado, nem tão pouco o presente, e o futuro não existe.

Não vivemos todos no século XXI.

 Mulheres andarem todas tapadas porque a sua imagem não pode ser partilhada, a não ser com o marido, os olhos dos outros não as podem ver.

Como conciliamos esta tradição com as normas sociais pelas quais se movem os países europeus?

As mulheres não podem mostrar certas partes do corpo, mas querem viver como as mulheres ocidentais, querem ir à praia e nadar livremente.

Mas, como dita a sua tradição, não podem mostrar o corpo e refugiam-se num “facto de mergulhador” e ficam só com a cara à vista.

Foi o que aconteceu numa praia francesa.

Como reagiu o poder? Foi muito simples: é proibido estar na praia com o corpo todo tapado, é proibido usar o burkini .

O primeiro ministro francês congratulou-se com as medidas tomadas pelo poder autárquico.

O que está na cabeça destes senhores que estão a ser alvo de atentados?

Será ignorância? Retaliação? Já se esqueceram que as mulheres europeias quando começaram a ir à praia iam todas tapadas porque não podiam ser vistas pelos homens. Contornavam esta proibição social indo tomar banhos de mar e de sol de manhã muito cedo, demasiado cedo.

Os fatos de banho foram sendo cada vez mais pequenos até se chegar ao monokini e às praias para nudistas, não sem polémicas e acérrimos defensores do pudor.

Estas mulheres muçulmanas estão a exibir referências religiosas através do burkini, numa praia pública?

As roupas fazem referência a uma lealdade para com os “movimentos terroristas que nos declararam guerra”, assim se justificou o diretor-geral dos serviços da cidade de Cannes.

Recentemente, uma associação de mulheres muçulmanas quis organizar um “dia do burkini” num parque aquático privado no sul de França, mas a iniciativa foi proibida.

As mulheres muçulmanas souberam organizar-se para fazer valer o seu direito de ir à praia, no ocidente. Esperemos que estas mesmas mulheres saibam defender o direito a ser mulher de corpo e convicção plenos.

Ser mulher não é andar escondida atrás das roupas. Andar escondida atrás das roupas é ser escrava do poder masculino. Que o dia da libertação chegue para dizerem não à discriminação de género que é contra os Direitos Humanos.

Exit mobile version