EDITORIAL – «UNIÃO IBÉRICA»OU INTEGRAÇÃO DE PORTUGAL NO «REYNO»?
carlosloures
Obedecendo a uma lógica geográfica, a união dos dois estados da Península Ibérica é um tema recorrente desde o século XIX. Teve fases respeitáveis e outras em que o projecto se revela um puro acto de assimilação de Portugal pela Espanha. Respeitável quando preconizava uma Federação de Repúblicas, com respeito pelas respectivas culturas, idiomas e percursos históricos.
Há anos, fomos surpreendidos por uma entrevista de José Saramago na qual o Nobel preconizava a inevitabilidade da integração de Portugal em Espanha com o estatuto de região autónoma. Pela mesma altura, Arturo Perez Riverte, defendia a união com a transferência da capital para Lisboa. Ricardo Salgado, aprovava a integração, pois isso traria ao seu banco perspectivas de desenvolvimento nas áreas metropolitanas de Madrid e Barcelona. Passados tempos, uma empresa de sondagens afirmava que mais de 25% dos portugueses aprovava o negócio. Não desistem…
Agora voltam à carga com uma proposta asquerosa: a criação de um partido para a consumação da «união», baseado no pressuposto de que, salvo erro, 70% dos portugueses aprovava a tal «união». Chamar cães a estes bandalhos é ofender animais cuja principal característica é a fidelidade; filhos de puta, é vulgar… Enfim, não temos o termo adequado para definir esta gente que (dizem) organizou uma «cimeira» onde foi projectada a criação de um partido com o objectivo de submeter a nossa República ao uma monarquia desprezível, construída sobre centenas de milhares de mortos, com um imbecil, filho do mordomo do assassino Franco, e de uma jornalista ambiciosa. Aceitam-se sugestões – candeeiros onde os pendurar não faltam.
Em vez de organizar cimeiras, procurem armários onde se esconder