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EDITORAL – A herança de Francisco Franco

logo editorialFrancisco Franco, como todos os ditadores que nos anos 20 e 30 do século passado surgiram na Europa, foi odiado e idolatrado. É por uns recordado como um dos maiores criminosos da História e por outros como um político genial. A sua morte, sobre a qual passam hoje 39 anos, encheu de júbilo milhões de cidadãos do Estado espanhol e de angústia todos os que o viam, não como um ditador, mas como um pai de uma «nação de nações» que dirigiu durante quase quatro décadas.

Galego (Ferrol, 4 de Dezembro de 1892 — Madrid, 20 de Novembro de 1975), comandou as forças do Exército de África, que invadiram o território da República espanhola, em 1936, desencadeando uma guerra que se prolongou por três anos e provocou centenas de milhares de mortos. Um herói e um nojento criminoso, portanto. Nós não somos imparciais  e consideramos Franco como uma das mais sinistras figuras da História, lamentando que tenha morrido de morte natural e não enforcado, como merecia o militar traidor e o frio assassino que foi. O número total de vítimas mortais varia segundo as fontes, mas somando centenas de milhares de pessoas que morreram em campos de concentração e em execuções sumárias. Desprezado por Hitler e por  Mussolini, era cordial com Salazar, um ditador menos espectacular e mais frio.

Francisco Franco encabeçou o golpe de Estado na Espanha em Julho de 1936 contra o governo da Segunda República, que deu início a Guerra Civil Espanhola.  Foi “Chefe Nacional” do partido único Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS (Juntas Ofensivas Nacional Sindicalistas), católico fervoroso e anti comunista, deixou o Rei Juan Carlos I como sucessor. Herança que põe em causa a democraticidade de um Estado construído sobre milhares de cadáveres. Enquanto não abolir a monarquia bourbónica. enquanto não libertar as nações que oprime, enquanto não apagar a herança de Franco, Espanha não merece credibilidade,

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