PERSEGUIÇÃO AOS INTELECTUAIS – A CADA UM DE NÓS QUE COMPREENDA
joaompmachado
Selecção e tradução para Júlio Marques Mota
Perseguição aos intelectuais- A cada um de nós que compreenda.
Fevereiro de 2014
Fatwa lançada contra quatro intelectuais: Taddei (jornalista de France 2), Sapir (economista da EHESS), Schneidermann (ex jornalista do Le Monde, jornalista em Arrêt sur image), Finkielkraut (filósofo)
Texto disponibilizado por Philippe Murer, Membre du bureau du Forum Démocratique, Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange
Pierre Moscovici que contudo conhece bem Jacques Sapir, economista classificado à esquerda e atacou-o violentamente na segunda-feira na televisão dizendo que Jacques Sapir é da extrema-direita. A reacção de Sapir no site: http://russeurope.hypotheses.org/1940 , onde pode ler o seu agradecimento a todos e todas que o apoiaram: políticos, jornalistas, economistas, intelectuais e cidadãos :
Citemos: « Uma França da rejeição do outro – tanto o imigrado como o Europeu, o Árabe ou o Judeu – está a afirmar-se. É a França da regressão identitária e da recusa do euro. Esta França sempre existiu. Sempre foi minoritária (excepto durante o regime de Vichy ). Mas encontra hoje, com o pretexto da crise, mais canais de expressão»
Este tipo de amálgama é perigoso porque assimila uma posição altamente perigosa (o racismo) a uma questão científica legítima ( é preciso sair ou permanecer no euro?)
Esta amálgama é fortemente desagradável para os anti-euro e conforta os racistas pois que pode significar ser racista é finalmente tão legítimo como ser anti-euro..
O delito de Taddei: » O pensamento reaccionário tornou-se uma tendência desde há uma dezena de anos, tornou-se uma moda. Diria mesmo que o serviço público tem-lhe estado religiosamente a servir a sopa com as emissões onde, diga-se, é a liberdade de expressão “. E Dray acaba mesmo por afirmar que esta pseudo liberdade de expressãoé, com efeito, um perigo para a democracia. “Vê-se toda uma série de emissões nas rádios, na televisão, onde os líderes de pensamento são líderes reaccionários. Tornou-se tendência, parece bem, colocar tudo em causa. O álibi de tudo isto, é a liberdade de expressão. Mas as ideias que são emitidas, não são ideias, são delitos. Porque produzem, quando são aplicadas, a barbárie. «
Depois de Caroline Fourest, é agora a vez de Julien Dray de se atirar a Taddeï. O vice-président do Conselho regional de Ile de France acusa o serviço público de ter « servido a sopa ao pensamento reaccionário ».
«O pensamento reaccionário tornou-se uma tendência desde há uma dezena de anos, tornou-se uma moda. Diria mesmo que o serviço público tem-lhe religiosamente servido a sopa com as emissões onde, diga-se, é a liberdade de expressão «. Um ataque contra e France Télévisions, assinado por Julien Dray, vice-presidente (PS) do Conselho Regional de Ile de France. No visor do fundador de SOS Racisme : a emissão de Taddei Ce soir ou Jamais. « Como dizia Godard, cinco minutos para os Judeus, cinco minutos para os Nazis, » acrescentou Dray.
Daniel Schneidermann antigo jornalista do Le Monde e Libération é actualmente fundador e animador do site : «Arrêt sur image ».
Patrick Cohen, jornalista do programa matinal mais escutado na rádio em France Inter acusa :Schneidermann de ter alimentado o “ódio anti-semita “ a seu respeito.
O seu crime? Ter escrito este artigo no Libération
Patrick Cohen acusa-o agora de ter «alimentado o ódio anti-semita » contra a sua pessoa. Ele é então quase anti-semita!
Última vítima ainda que a acusação seja menos grave, isso permanece uma acusação tipo polícia do pensamento: Alain Finkielkraut: “socialistas queixam-se ao CSA”
· Dois membros do conselho nacional do PS recorreram ao Conselho Superior do audiovisual (CSA) após a passagem de Alain Finkielkraut na emissão política de France 2 intitulada Des Paroles et Des Actes. O filósofo tinha sido convidado na véspera à noite para ser o ponto de vista de réplica a Manuel Valls sobre o tema da integração. Numa carta dirigida à Olivier Schrameck, presidente do CSA, Mehdi Ouraoui, ex-diretor de gabinete de Harlem Désir e de Naïma Charaï, conselheira regional de Aquitânia e presidente da Agência Nacional para a Coesão Social e a Igualdade das chances (Acsé), qualificam esta intervenção “de inaceitável” e “perigosa”. Os dois socialistas preocupam-se nomeadamente pela utilização pela parte do escritor da expressão “Francês de cepa”, “termo este que pertence ao vocabulário da extrema direita” e referem-se a uma outra frase pronunciada por Alain Finkielkraut: “Não quero que a França, o seu ensino e a sua televisão se tornem a União soviética do anti-racismo sem cérebro” nem que “a França seja submetida ao diktat da diversidade”. Reacção dos socialistas: “É perigoso dizer, como o fez Finkelkraut, que certos franceses são esquecidos e outros privilegiados devido às suas origens, e de incitar à sua comparação e à sua confrontação”.
Qual é o ponto comum a estas 4 pessoas ?
Jacques Sapir fala do euro, Schneidermann é um jornalista que pergunta a Patrick Cohen de não proibir Taddeï de confiar na inteligência dos espectadores, Finkielkraut defende a necessidade de conservar uma parte da identidade francesa e Taddeï convida a vir falar à televisão pessoas normalmente não convidadas como Jacques Sapir, Emmanuel Todd e, num outro plano, de personagens de pensamento radical como Dieudonné, Tarik Ramadan ou Alain Soral (o seu Credo: confiar na inteligência do espectador. Deve-se acrescentar que se viu Alain Soral uma só vez e compreendeu-se bem do que se trata. )