Que, cerca de dois milhões e meio de anos depois de surgirem os primeiros hominídeos, ainda seja preciso lutar pela igualdade de direitos dos sexos, é coisa que nos devia envergonhar, do mesmo modo que, sendo nós a espécie de vida inteligente que faz a gestão dos recursos do planeta, ainda não tenhamos aprendido a faze-lo de uma forma racional que contemple não só as necessidades de hoje, mas tenha em conta a preservação de um património que também é pertença das futuras gerações. Mas hoje, data do aniversário de Adelaide Cabete (nasceu em 25 de Janeiro de 1867), dedicamos este espaço diário à causa a que Adelaide dedicou toda a sua força, energia e inteligência – a luta pela igualdade de direitos das mulheres – por que motivo as mulheres não têm podido desempenhar o seu papel de seres humanos, a menos, que sejam seres excepcionais? Ou seja, as mulheres que ao longo da História se destacaram no plano político, científico, artístico, tiveram de dar provas que aos homens não foram exigidas.
Não deveria ser necessário haver movimentos feministas – sabe-se hoje que a capacidade intelectual de um ser humano nada tem a ver com o sexo a que pertence. Naturalmente que o problema não tem a mesma acuidade em todas as partes do mundo, embora a Declaração dos Direitos Humanos, aprovada na Assembleia Geral da Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948 ao longo do seu articulado determine que Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. […] São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade […] Todas as pessoas têm capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião…
A aplicação destas regras, aprovadas vai para setenta anos, excluiria grande parte, senão a totalidade dos países membros daquela organização mundial. Falando apenas dos direitos das mulheres, milhões e milhões de seres humanos do sexo feminino estão submetidas a uma religião que as transforma em escravas. Não é que o islamismo seja a causa de todos os males do mundo, pois, de uma forma geral a injustiça, a desigualdade, estão enquistadas no tecido social do sistema dominante.
Porém, no que à mulher se refere, o islamismo é particularmente cruel. Para ser coerente, a ONU teria de expulsar todos os países cujas leis fundamentais se apoiam no Corão. Nas mesquitas, clérigos fanáticos, aconselham os fiéis a estuprar mulheres que andem nas ruas fora das horas canónicas – estudantes, trabalhadoras, cujos estudos ou horários laborais obrigam a circular nas ruas ou em transportes públicos. Adultos podem casar com crianças do sexo feminino antes de estas terem atingido a puberdade… Acusada de adultério, uma mulher pode ser apedrejada até à morte. Etc. Como é possível a comunidade internacional aceitar no seio da sua instituição mais importante países onde se pactua com este tipo de leis?
É preciso que as feministas compreendam que o inimigo dos direitos da mulher não é o homem. O homem é como um actor a quem distribuem o papel de «mau da fita». Tem de desempenhar esse papel ou será vítima, também ele, da «fúria divina». A cruel mutilação genital feminina é defendida pelas mães que, tendo sofrido essa violência, entendem que as filhas não devem ser poupadas.
É preciso que as feministas entendam que a igualdade plena só será atingida com a extinção das classes sociais. A exploração dos mais fracos é a força motriz do sistema em que vivemos – o islamismo é apenas uma das faces desse sistema impiedoso.
Adelaide Cabete (1867-1935) lutou pelos direitos da mulher. Saudemos a sua memória.