NESTE DIA… NASCIA ADELAIDE CABETE, A GRANDE IMPULSIONADORA DAS MATERNIDADES

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Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete  nasceu no dia 25 de Janeiro de 1867, em Alcáçova.  Mais conhecida como Adelaide Cabete, foi uma das principais feministas  portuguesas do século XX.

Em Elvas, famílias humildes apanhavam as célebres ameixas e trabalhavam noutros árduos trabalhos. Foi assim que cresceu Adelaide, que casou aos 18 anos, analfabeta.

Incentivada pelo marido, começou a estudar aos 20 anos. Aos 23 fez o exame de instrução primária. Com 27 anos terminou o curso dos liceus, já a viver em Lisboa. Na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, para onde entrou aos 29 anos, teve como professores Miguel Bombarda, Curry Cabral, Ricardo Jorge e Alfredo da Costa.

Em 1900, defendeu a tese “A protecção às mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico de novas gerações”, tornando-se a terceira mulher a concluir Medicina no país.

Em 1901, o seu primeiro artigo, publicado no Jornal Elvense, tinha como título: “Instrua-se a mulher”.

Em 1907, foi iniciada na maçonaria onde atingiu o grau de “Venerável”.

 Em 1909, foi co-fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, onde defendeu a emancipação feminina.

Em 1910, participou activamente na aventura da implantação da República. Com duas companheiras, coseu e bordou a bandeira nacional hasteada a 5 de Outubro na Rotunda, em Lisboa.

Em 1912 reivindicou o voto das mulheres.

A mulher pobre, as doenças infecto-contagiosas, o alcoolismo, a educação das crianças, a melhoria da situação legal da mulher na sociedade e na família, a erradicação da prostituição, a melhoria da saúde pública, a criação de gabinetes de consulta para profissões, educação e protecção a emigrantes, a protecção das crianças contra os maus tratos, trabalhos pesados e abusos sexuais, o tratamento da saúde da mulher e da jovem grávida, foram assuntos que sempre a preocuparam.

Lutou pela introdução do ensino da puericultura nas escolas, sendo durante 17 anos, professora de Higiene e Puericultura no Instituto Feminino de Odivelas. Também na Universidade Popular Portuguesa, instituição criada na 1.ª República, dirigiu um curso sobre esta matéria, destinado a mães. Pretendia que adquirissem conhecimentos que proporcionassem um saudável desenvolvimento das crianças.adelaide-cadete-2-grande

Foi com este mesmo objectivo que reivindicou a construção de uma maternidade, vindo a construir-se, em resultado dessa sua acção, a Maternidade Alfredo da Costa.

Foi presidente e principal organizadora do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Esteve presente, em representação das mulheres portuguesas em vários congressos internacionais – em Maio de 1913, no Congresso de Gant, em Maio de 1923 no Congresso Feminista de Roma, em 1925 no Congresso de Washington.

Aplaudiu o encerramento de tabernas e manifestou-se contra a violência nas touradas, o uso de brinquedos bélicos, abordando temas que mantêm a sua actualidade.  De ideias progressistas e muito avançadas para a época, reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto.

Colaborou com várias revistas (Alma Feminina, Pensamento, Ciência, Educação, Almanaque Democrático, Portugal Feminino) e escreveu para jornais, como A Batalha, O Rebate, A Pátria, República, Tribuna, A Fronteira, Jornal de Elvas, República Social, O Protesto, Diário de Lisboa.

De 1929 a 1934 viveu em Angola, afastando-se do caminho político que se desenrolava em Lisboa e com o qual não concordava. Lá, continuou defendendo os seus ideais, acrescentando o dos direitos dos indígenas.

Faleceu em Lisboa em 1935.

 

 

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