O SENHOR VENTURA E OS CIGANOS por Luísa Lobão Moniz
clara castilho
Os ciganos são cidadãos portugueses que por vezes causam problemas de relação social e outras são o alvo de um descontentamento social dos não ciganos.
Porque se olha para um cigano e se pensa logo que algo de desagradável vai acontecer, como muitas vezes sucede?
Os não ciganos são ensinados desde pequenos a não se aproximarem dos ciganos porque estes só querem confusão, roubar ou enganar o próximo.
É sempre bom ter presente que têm Cartão de Cidadão português, têm direito à saúde, à educação, à habitação e essencialmente a serem reconhecidos pela positiva.
Apesar disso têm uma cultura, uma música, tradições próprias.
Muitos não ciganos criticam a forma como os ciganos vivem o luto.
Parece que nos esquecemos que há algumas décadas atrás a viuvez das mulheres era vivida com roupa preta até à sua própria morte. Durante dias não havia música em casa, nem festas…
Relativamente aos homens a realidade era a mesma, vestiam-se de preto para sempre…
É interessante verificar que esta tradição tão portuguesa ainda persiste nos ciganos!
Hoje quando uma cigana ou um cigano se aproxima há pessoas que não podem deixar de dizer “que medo, e vinham vestidos todos de preto…”
Em termos culturais, há tradições coincidentes entre uns e outros, mas desfasados no tempo…
Quem fala do luto fala também de muitas outras tradições, apesar de outras que são intrinsecamente ciganas como a vingança, o casamento, a escola, a profissão.
Quando se fala em profissões, a tentação é perguntar se alguém está disposto a empregar um cigano ou cigana, antes de dizer que eles não querem fazer nada.
Quantos portugueses já se sentiram discriminados e excluídos do seu quotidiano? Quantos falam em casa outra Língua que não seja o português?
Quem vive ainda em famílias alargadas em que tudo é de todos?
E tudo isto é uma gota de água no oceano do viver dos ciganos portugueses.
Por tudo isto, e por muito mais , os Senhores Venturas que se candidatam ao poder local deveriam ter sido afastados por afirmações discriminatórias, plenas de representações negativas de alguns dos cidadãos que dependem dos seus serviços.