EDITORIAL – Carta aberta aos Argonautas – por Carlos Loures
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Regresso a casa, após um demorado périplo por hospitais e residências de cuidados continuados. O motivo foi (é ainda) uma estenose esofágica – na minha idade, os órgãos começam a atingir e a ultrapassar o prazo de validade. É natural.
Agradeço a todos os companheiros que escreveram ou telefonaram e peço desculpas por não ter respondido à maioria dessas mensagens – era impossível fazê-lo. Ao cabo de quase seis meses, estou melhor e posso enfim voltar a escrever, embora não deva exagerar. Como não tenciono voltar a falar deste tema – queria aqui deixar algumas palavras sobre a qualidade dos serviços públicos, pagos com os nossos impostos.
Nestes meses de internamentos hospitalares, percorri hospitais civis e privados. Devo dizer que fiquei positivamente surpreendido com a qualidade do Serviço Nacional de Saúde – não sendo perfeito, põe ao dispor dos cidadãos uma panóplia de recursos – pessoal clínico e equipamentos que não supunha tão vasta. Bons médicos, excelentes enfermeiros e pessoal auxiliar de uma qualidade irregular – que vai do péssimo ao muito bom. Sendo os elementos que têm um contacto mais prolongado com os pacientes, deviam ser melhor remunerados e ser alvo de uma formação mais cuidada. Um exército com bons oficiais e bons sargentos, não obtém vitórias se os soldados não tiverem preparação adequada. Na comparação dos serviços prestados por unidades privadas (caríssimas) e por hospitais do SNS, estes últimos assumem uma qualidade superior. Isto, na opinião de um leigo e sem prejuízo de crítica fundamentada em critérios de natureza mais consistente. Comum a toda a rede dos serviços, uma certa descoordenação que, por vezes, provoca situações graves (como se sabe pela comunicação social).
Sempre que podia, visitava o nosso blogue. Vi, com satisfação, que a minha ausência não provocou qualquer prejuízo. Mutatis mutandis, aplica-se aqui o axioma popular que diz: Não faltes ao teu emprego – o patrão pode descobrir que não fazes falta…