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FRATERNIZAR – IGREJA COM E PARA JOVENS? NEM PENSAR! O que pretende deles o Sínodo dos bispos? – por MÁRIO DE OLIVEIRA.

 

Já está a decorrer em Roma e prolonga-se até 28 de Outubro 2018 o Sínodo dos Bispos. Temática em debate, “Os jovens, a Fé e o discernimento vocacional”. Como se vê, uma estopada de todo o tamanho para os jovens século XXI, mergulhados num mundo saudavelmente secular, arreligioso, agnóstico ou ateu, pós-cristão e pós-igreja clerical e eclesiástica que eles desconhecem de todo, ou da qual, depois do crisma imposto pelos pais, fogem a sete pés, como se foge de um ladrão que nos salta ao caminho para nos espancar, roubar e deixar abandonados na berma da estrada. Como sucede ao homem sem nome da parábola anti-sacerdotes contada por Jesus, o do Evangelho de Lucas. É manifestamente uma temática congeminada e proposta, não pelos jovens aos bispos, mas por cardeais e bispos que nunca foram jovens, nem sequer quando tinham idade para o serem. Porque o seminário tridentino cedo os arrancou às suas famílias e aos companheiros de infância. E, pior ainda, formatou-lhes as mentes-consciências para, de filhos de mulher ao nascer, se tornarem clérigos e eclesiásticos celibatários, mercenários contratados em exclusivo ao serviço do império papal sediado em Roma. Cujo sonho é vir a ocupar e dominar as mentes-consciências de todos os povos da terra.

O Texto-base que serve de ponto de partida e que eu tive o cuidado de previamente conhecer para poder aqui pronunciar-me sobre este Sínodo dos Bispos, sob a presidência do papa Francisco, jesuíta dos quatro costados, beato até dizer chega – os seus posts diários no Twitter não enganam – não tem ponta por onde se lhe pegue. Dificilmente se encontrará um jovem, mesmo entre aqueles poucos que ainda se não libertaram de vez das paróquias ou de outras corporações eclesiásticas ditas laicais, que consiga lê-lo todo do princípio ao fim. E, se por dever de ofício de líderes do grupo ou corporação, o lerem, não haverá um que entenda o muito que lá se escreve. Pela simples razão de que eles, como todos os seus iguais em idade, são jovens século XXI, não século IV, o do Credo de Niceia-Constantinopla que continua a ser mecanicamente recitado nas missas de domingo, logo a seguir a homilias sem graça e sem verdade, sem sal e sem Causas pelas quais valha a pena entregar-se até dar a própria vida. Tudo é assim a modos de nem frio nem quente, que os jovens século XXI depressa vomitam, como diz de Deus que nunca ninguém viu, o ainda não compreendido, muito menos praticado, Livro do Apocalipse.

Os números das pessoas presentes e intervenientes no Sínodo dos bispos sobre os jovens, a Fé e o discernimento vocacional, falam por si. São 267 padres sinodais (= bispos), 23 especialistas e 34 auditores jovens de 18 a 29 anos de idade. Os bispos são esmagadoramente quem mais ordena no Sínodo. O que nem é de estranhar, uma vez que o Sínodo é deles, bispos, não é dos jovens. Não são os jovens do mundo que organizam um Sínodo e convidam os bispos. É o Bispo de Roma, papa monarca absoluto e infalível, que convida 34 auditores jovens. Não há, pois, volta a dar-lhe. E com mais uma agravante de peso – O Sínodo é um órgão da Cúria do Estado do Vaticano, cujos participantes debatem o documento-base, fazem as alterações que entenderem, mas o seu voto final é apenas consultivo, não deliberativo. O documento que vier a ser publicado posteriormente pelo papa é da sua exclusiva responsabilidade, mas vale para toda a igreja. Até para a da China comunista que, pela primeira vez, tem dois bispos presentes!

Perante estes dados objectivos, resta aos jovens século XXI fazer como Deus que nunca ninguém viu, o do Apocalipse, faz – vomitem este tipo de igreja clerical e eclesiástica e fujam dela a sete pés. Integrá-la, nem pensar. Seria regredirem ao século IV, à fé proclamada pelo Credo de Niceia-Constantinopla, onde não se encontra uma única proposta capaz de transformar este tipo de mundo do sistema de Poder num mundo humano jovem, a respirar liberdade, saúde e comensalidade por todos os poros. E que os jovens terceiro milénio, não os bispos, têm todas as possibilidades científicas para o fazer.

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