Site icon A Viagem dos Argonautas

CARTA DE BRAGA – “maldade e realidade” por António Oliveira

Já não sei quando nem onde John Lennon teria afirmado ‘A maldade é uma forma de vida’. Mas deverá ser, com toda a certeza, a ver até pelas inúmeras consequências que, a diário, vemos ouvimos e lemos, tanto a nível pessoal como afectando uma qualquer colectividade. É verdade que tomos nascemos iguais ou, como disse Rabindranat Tagore, ‘Todos os homens somos feitos do mesmo barro, mas não do mesmo molde’. 

Parece ser verdadeira uma outra sentença, já não me lembro de quem, que viemos todos com o bem e o mal bem escondidos na alma, mas por alguma razão, ou devido a uma qualquer circunstância, envolvendo narcisismo, egoísmo pessoal ou patriótico, alguns dos que por aqui passaram ou ainda por cá andam, se transformaram em malvados, esquecendo ou pondo de lado como a vida em comunidade é uma bênção, uma arte e até mesmo uma graça, a ser devidamente aproveitada.

Jornais, revistas, canais televisivos e redes sociais, trazem a toda a hora fotos, vídeos, fakes, montagens, memes, onde a sensação principal e fundamental, mesmo que não expressa, é o ‘ódio’, por ser a que mais motiva e incita, ultimamente os noticiários desportivos são mesmo um bom exemplo, dando razão ao poeta e escritor inglês Rudyard Kipling, quando chamou a atenção para o mais perigoso artefacto inventado pelo homem, a palavra. 

Note-se aliás, que a polícia da Rússia prendeu não há muito tempo alguns discordantes da invasão à Ucrânia, quando se manifestavam exibindo folhas de papel em branco, considerada tal atitude uma acção ilegal. Nem génios diversos como Allan Poe, Kafka, Woody Allen ou um tão nosso Sttau Monteiro, teriam imaginado uma estória baseada em tal despropósito. 

O filósofo e professor de ética Norbert Bilbeny, afirmou num trabalho recente, ‘Quanto mais dados e tecnologia, menos sabemos quem somos e o que queremos. Um paradoxo. Se o nosso corpo fosse um puzzle e alguém perguntasse qual a peça que faltava, alguém responderia a inteligência; quantas mais peças científicas juntemos à figura do homem do tal puzzle, logo empurramos outras para as margens, educação, democracia, ética, reflexão e saltam para fora da figura. Aumenta a inteligência operativa, mas retrocede a social, sem nenhuma delas ter culpa’.

Gregorio Luri, também filósofo e escritor, segue o mesmo caminho e garantiu numa entrevista,  há poucos dias, ‘Temos vivido numa orgia do consumismo e destruição de tabus; estamos mais despistados que nunca. Quando nos interrogamos sobre o mais além dos limites (estéticos, económicos, éticos, sexuais, morais) só desenvolvemos o sentido do possível, em que o novo tem mais valor que o bom, parecendo uma distopia organizada em elites, massa e párias’.

Enquanto isto, uma investigação da Royal Society for the Protection of Birds, denunciava que desde 1980, perdemos cerca de 600 milhõs de aves no continente europeu, das quais, e quase a metade, 247 milhões de pardais, sendo o desaparecimento de lugares de nidificação como a principal razão. 

Só que, depois deste repassar de pensamentos e deduções a acabar com um relatório sobre pardais, quase desparecidos também aqui na rua, tenho a certeza de que embora eu não me mexa, a realidade sempre se move à minha volta, nem sempre límpida e transparente!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

Exit mobile version