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COM DUAS SÍLABAS APENAS DIZEMOS A PALAVRA GUERRA por Luísa Lobão Moniz

Com duas sílabas apenas dizemos a palavra Guerra, uma das mais ouvidas nestes últimos tempos.

Todos querem ter protagonismo para explicarem o porquê, as táticas, as estratégias, os objetivos dos beligerantes, a quantidade de civis mortos, quem apoia ou não e porquê, o desenvolvimento das armas de guerra…e ninguém explica porque os humanos se envolvem cada vez com mais crueldade, não explicam porque não se opta pelo diálogo e concessões, com sanções, não contra os povos, mas contra quem fomenta a guerra.

Se queremos a Paz temos que compreender porque é que os poderosos optam pela guerra.

 A comunicação social, cumprindo o seu direito e dever de informar o que se passa no mundo, tem mostrado até à náusea os horrores, as barbaridades que alguns povos estão a sofrer.

A guerra tem despoletado uma violência exacerbada.

Seria importante perceber como é orientado o pensamento, a investigação, e a opção guerra.

A injustiça social provoca violência, a violência estrutural é uma das causas principais da violência física, a violência estrutural e a violência pessoal trazem consequências sociais e pessoais negativas.

 Como tentar que a violência organizada e a violência não organizada, a violência direta e a violência indireta, a violência cultural, que por vezes considera que a guerra é justa quando um povo deseja manter a sua cultura de origem, sendo incapaz de compreender outras culturas, como as outras culturas se querem impor porque não compreendem outra. Não dialogam, porque este diálogo não são palavras, são bombas, são sangue, são mortes…

 

A banalização da guerra leva a que o povo, apesar de ser alvo aleatório das armas de guerra, ao assistir à destruição do património cultural e histórico das sociedades, perceba que algo está diferente na ética e modo de conduzir as guerras no século XXI.

A Guerra, que nos é mostrada pelos meios de comunicação social, não tem como palco os campos de batalha, mas cidades, os espaços urbanos.  

Muitas vezes quando a Paz é declarada nos campos de batalha, as cidades até então “pacíficas” tornaram-se violentas.

A guerra é algo aprendido social e culturalmente, enquanto a violência nasce com o ser humano.

 Como dissociar estes comportamentos?

Através de uma Educação para a Liberdade, para o Reconhecimento do Outro, para a Comunicação Positiva e não para o ódio, para a participação na Vida ativa da sociedade, para o viver em Cidadania.

É preciso uma sociedade inteira para ensinar um Povo, é preciso uma Escola Democrática e Libertadora para a construção de um Mundo Novo.

Para quando atingir a Utopia?

Tudo o que é Bom nas Nossas Vidas nasceu de utopias que se tornaram realidade e dessa nasceu uma nova utopia.

Acreditemos na preponderância do lado Bom do Ser Humano.

Façamos um diálogo de Paz.

As armas destroem, o diálogo constrói. A guerra nunca é caminho para a paz, todos sabemos que há muito lucro injusto com a guerra, todos sabemos que quem acaba por sofrer as consequências são os mais pobres, os mais abandonados, os mais vulneráveis. Sabemos, mas não nos convencemos.

Sophia de Mello Breyber  não pedia a Deus o fim da guerra, mas sim a paz.

“Dai-nos a paz que nasce da verdade

Dai-nos a paz que nasce da justiça

Dai-nos a paz chamada liberdade”.

 

In “A Paz sem vencedores nem vencidos”

 

Temos que ser criativos, acreditar, como quem respira, na Paz.

Viver lutando pela Paz é um trabalho sempre em construção, desde a gestação de um ser humano até à sua morte.

A Paz é forte e frágil, por muito pouco se pode acabar com a Paz.

 

Monsieur le Président

je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
je ne veux pas la faire
je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C’est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
je m’en vais déserter

Depuis que je suis né
J’ai vu mourir mon père
J’ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Qu’elle est dedans sa tombe

 Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j’étais prisonnier
On m’a volé ma femme
On m’a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J’irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens
Refusez d’obéir
Refusez de la faire
N’allez pas à la guerre
Refusez de partir
S’il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n’aurai pas d’armes
Et qu’ils pourront tirer.

 

Temos de desarmar a história. Ensinamos aos nossos filhos a história do poder. Não do saber. A da guerra, não a da cultura. A História está repleta de acontecimentos bélicos, com o ruído das armas como única banda sonora. Temos, pois, de mudar. Sim, temos de aprender a pagar o preço da paz, como tivemos que pagar o preço da guerra. É necessário estabelecer novas prioridades.”,

Frederico Mayor, secretário-geral da UNESCO, in Pedro Morais Martins (2007:2)

O todo autonomia/cooperação faz com que as sociedades  possam mudar as regras do jogo desde que haja entendimento, porque a verdade da regra está no acordo mútuo e na reciprocidade. A sociedade descobre a fronteira entre o eu e o outro, aprende a compreender o outro e a fazer-se compreender por ele.

A obediência ou a insubordinação perante a Guerra correspondem a um princípio de falta de igualdade, inigualidade entre as pessoas e os povos, em que um se sente sempre superior ao outro tendo como base a diferença cultural, religiosa, territorial, económica, política.

A Guerra é resultado de múltiplas dimensões:

Eu quero ir para a guerra porque quero matar

                                                                              menino português com 10 anos

E se te matarem primeiro? 

Olha, não faz mal, eu estava na guerra

Qual a dimensão desta vontade?

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