O SUICÍDIO É A DIMENSÃO MAIS RADICAL DO SOFRIMENTO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Não são poucas as vezes que lemos que a violência tem aumentado com a crise.

É natural que assim seja pois o sentimento social, a sanção social, deixa de ser importante, porque toda a violência é banalizada e muitos crimes ficam impunes.

As imagens que se vêem na televisão assim o demonstram. Nos telejornais é frequente ver-se civis e tropas oficiais disparem sem olhar a quem, pois todos são suspeitos. Todos são suspeitos? De quê? De pertencerem a outra religião, de quererem ter o seu próprio país. São guerras que se tornam ainda mais guerra quando vemos na televisão bebes, crianças a chorar de dores provocadas por bombas, crianças a chorar à procura, já não dos pais, mas de alguém que as ampare, é tudo destruição à sua volta.

E nós o que dizemos? “É a guerra, meu filho”, “Só sabem andar aos tiros e depois…”.

Como a guerra está longe de nós não pensamos mais nisso.

A guerra que temos são homens a bater nas mulheres e nas crianças e “ninguém tem nada com isso, eu é que sei”, são filhos a matar as mães porque elas não cedem às chantagens dos filhos que querem mais dinheiro, são filhos criados à pancada física ou à violência psicológica, são homens a matar outros homens, são mulheres, crianças e homens com violências recalcadas, são pessoas em sofrimento, são pessoas que se suicidam.

E a crise é responsável por isto?

É sabido que quando há uma crise económica o conforto social começa a desmoronar-se. É o desemprego, a falta de apoio social, é a falta de dinheiro para comprar comida, para comprar medicamentos, para comprar o passe para se deslocarem, é prestação da casa que não se consegue pagar…

É, são tantas as situações desesperantes que o pior da Pessoa começa a manifestar-se e não há justiça que a detenha, não importa ir presa, não importa ficar mal vista entre os vizinhos e os amigos, o que importa é descarregar o enorme descontentamento que sentem.

O descontentamento vira-se “para dentro” e  vai ocupando espaço dentro da Pessoa, a depressão começa a manifestar-se e os familiares e amigos pensam que se anda triste, com problemas, mas que passa com uma ida ao médico que lhe passa um anti depressivo. Mas os nossos problemas estão-nos agarrados à pele.

Os homens, com mais  de 50 anos no desemprego prolongado, têm mais tendência para manifestar comportamentos suicidários e suicídio.

Carlos Braz Saraiva, professor universitário, receia que a situação tenha tendência para se agravar, o Norte e o Centro do país são as regiões onde há registo de mais casos.

Há uma grande preocupação por parte dos profissionais de saúde mental/suicidária que aumente o suicídio entre os mais jovens

Pelo menos duas pessoas suicidaram-se por dia em Portugal em 2011.

Dizem os entendidos que não há alternativa para a crise, por isso, já nem pedem aos portugueses que façam mais sacrifícios, pedem-lhes sim, que acatem resignadamente uma vida sem qualidade, exigindo, por vezes, que ultrapassem os limites do suportável da sua saúde mental.

Muitos casos de depressão deveriam merecer no diagnóstico a palavra “crise”. e como medicação a palavra ” revolta”.

O suicídio é a dimensão mais radical do sofrimento.

A sociedade que se resigna perante o sofrimento dos mais fracos está destruir-se. A indiferença política  face à presente crise humana, pode provocar a quebra da coesão social e ao afastamento cada vez maior entre os governantes e, assim, futuramente, seremos conhecidos, nos manuais de História pela política que só sabia governar pelas folhas do Ecxel, pelos gráficos e pelas estatísticas e, se calhar, concluem que somos os responsáveis pela regressão na evolução social da Humanidade.

Que vergonha!

bia suicidio

3 comments

  1. Maria de sa

    *”* O suicídio é a dimensão mais radical do sofrimento.” uma frase que me toca profundamente -tentei suicidio 2 vezes ,por já não suportar o constante “NÃO ” em que assentavam as regras do jogo-Maria

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  2. Isabel

    CRISE, uma palavra tão pequena, mas com tanta abrangência e influência nas nossas vidas…sim, nas nossas, nas vossas, nas deles e delas! Não dá para assobiar para o lado, num dia em que a recente notícia nos fala de uma criança morta, depois de imersa num banho de água a ferver e cuja autópsia revelou álcool no estômago…quantas mais das nossas crianças não estarão a sofrer nas mãos dos que deveriam ser os seus cuidadores primeiros??? Q vergonha!

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