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CARTA DE BRAGA – “E se…?” por António Oliveira

Esta Carta não ultrapassa a intenção simples de ordenar uma série de títulos, todos encontrados em órgãos de comunicação de diversas origens, só para tentar alinhar uma explicação razoavelmente honesta para a situação em que este mundo se encontra desde a primeira crise financeira outras se seguiram, até e também financeiras e permite-me começar aquele alinhamento, com uma afirmação do filósofo Santiago Alba Rico, num artigo sobre inteligência artificial (IA), ‘Um algoritmo, não o esqueçamos, foi em boa parte, responsável pela crise financeira que arruinou milhões de pessoas em 2008’. 

Mas logo a seguir, Alba Rico, a propósito ainda daquele tema, não tem qualquer pejo em afirmar, ‘A IA bombardeia hoje em Gaza, sem nenhum estorvo moral, centrais nucleares, arsenais, mercados de alimentos, tribunais; a inteligência reprimida pela mão é o pensamento e a questão nada tem a ver com a batalha entre inteligências desiguais, mas só entre a inteligência e o pensamento’.

Um grupo de jornalistas de investigação, +972 Magazine y Local Call, trouxe a público já este mês, que com o sistema Lavender, o exército de Israel dá preferência a assinalar pessoas e passou a utilizar bombas inteligentes, que podem destruir edifícios inteiros e causar um elevado número de baixas a que chamam danos colaterais, sem dedicar mais do que 20 segundos a analisar cada objectivo, bastando saber que o objecto marcado pelo Lavender é um homem. 

E (escrevo no domingo de manhã) o Irão lançou uma chuva de drones e mísseis sobre Israel, a maioria interceptada pelo exército israelita com ajuda norte-americana, britânica e francesa, mas Netanyahu e o seu gabinete já aprovaram uma resposta ‘significativa’ ao ataque. Não há muitos dias, Viriato Soromenho Marques, escreve no DN, ‘Netanyahu é hoje o mais poderoso e inimputável carniceiro do planeta. Ele exibe, com visível prazer, o total domínio sobre Biden, e o conformismo colaborante da UE, através da desastrada Ursula von der Leyen’.

Mas do outro lado, estão fulanos que só acreditam nados seus desígnios e, até por isso, assumem a mesma dimensão do carniceiro israelita; e os únicos dois Papas em serviço neste mundo, Francisco do Vaticano e Guterres das Nações Unidas, só têm como armas as palavras dos apelos à paz, à ética e ao respeito pela dignidade da condição humana! É pouco mais que nada, não é?

Enquanto isto e, olhando para outro tema, o passado mês de Fevereiro bateu um novo record de calor em todo o mundo, até porque a temperatura dos últimos doze meses, de Março de 23 a Março de 24, foi a mais alta registada desde que existem registos históricos, tendo atingido em Fevereiro 2º C acima dos níveis pré-industriais.

Ao mesmo tempo, o rápido degelo na Groenlândia está a alterar o clima e a circulação oceânica em grande escala, e a camada de gelo que a cobre, a segunda maior do mundo depois da Antárctida, perdeu mais de 5.100 quilómetros quadrados de extensão, devidamente acompanhada pelo lento desaparecimento das variadas espécies de plantas em todo o mundo, pois 77% das que se descreveram no ano 2020, estão gravemente ameaçadas.

Talvez contribua para isso, um ‘pequeno pormenor’ revelado pelo Intermón Oxfam em colaboração com o Stockholm Environment Institute apenas 1% da população mais rica do mundo, gera as mesmas emissões que os 66% mais pobres–qualquer coisa parecida com isto, a inversão de 125 milionários, gerou uma média de três milhões de toneladas de CO2 anuais na última década, uma cifra que multiplica por mais de um milhão, as médias dos 90% mais pobres da população mundial.

 

Para ‘animar a festa’ e para arrecadar fundos para a sua reeleição ou para pagar as fianças, li também que o inenarrável trumpa está a vender a 60 dólares cada, exemplares da única Bíblia que ele aceita e apoia, pois além das Declarações da Independência e Direitos, inclui o Juramento de Lealdade e a letra da canção que lhe dedicou o cantor country Lee Greenwood.

Boa Noite’ ou ‘Bom Dia’ para quem me estiver a ler agora, por já ser noite e é preciso descansar, ou ser dia e haver necessidade de fazer qualquer coisa, mas, acima de tudo viver com as nossas memórias, utopias e ilusões, enquanto vemos, ouvimos e lemos, como mais ou menos longe, vai havendo atentados, vítimas, mais e más notícias da guerra em Gaza. Ucrânia e numa quantidade enorme de outros lugares, como se reverenciam os patrões do mundo mais os artistas da bola, variando apenas nos números que movimentam, em euros, dólares ou petrodólares.

Dizia George Orwell, ‘A massa mantém a marca, a marca mantém os média e os media controlam a massa’, uma asserção cuja evidência me parece de discussão inútil, mesmo nestes casos, mas há uma outra, da autoria do também escritor Aldous Huxley, da qual até tirei o título para esta Carta, e para a qual ainda não achei resposta,

E se este mundo for o inferno de outro planeta?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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