Pela originalidade deste presépio ilustro esta crónica com estas imagens, realizadas pela tia de uma amiga madeirense, Idalina.
– Autoria de Silvina Rodrigues do sítio do Pomar Novo, Jardim da Serra. Natal de 2018.
– Fotografias de António Rodrigues
É costume oferecer prendas no Natal, a tradição esteve ligada, na península Ibérica, aos presépios que adornavam as casas, e as prendas entregavam-se no dia de Reis, 6 de janeiro, também chamado de Epifania.
Neste Natal, como presente, deixo nesta crónica alguns momentos de Natal de autores que com as suas letras comemoram este momento eterno, com votos de umas boas festas:
Dos ceos á terra desce a mor Belleza,
Une-se á nossa carne, e a faz nobre;
E, sendo a humanidade d’antes pobre,
Hoje subida fica á mor riqueza.
Busca o Senhor mais rico a mor pobreza;
Que, como ao mundo o seu amor descobre,
De palhas vis o corpo tenro cobre,
E por ellas o mesmo ceo despreza.
Como? Deos em pobreza á terra dece? O qu’he mais pobre tanto lhe contenta, Qu’este somente rico lhe parece.
Pobreza este Presepio representa;
Mas tanto por ser pobre ja merece,
Que quanto mais o he, mais lhe contenta.
(Luís Vaz de Camões- 1524-1580)
Em Cruz não Era Acabado
As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da página do Natal
nasciam os montes prateados
da infância. Intérmina, a mãe fazia o bolo unido e quente da noite na boca das crianças acordadas de repente
Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.
Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.
Natal bordado por tias que teciam com seus dedos estradas que então havia para a capital dos brinquedos.
E as crianças com a tinta invisível do medo de serem futuro escreviam os seus pedidos no muro que dava para o impossível,
chão de estrelas onde dançavam a sua louca identidade de serem no dicionário da dor futura: saudade.
( Natália Correia – 1923-1993-, in ‘O Dilúvio e a Pomba’)
Natal
Menino dormindo…
Silêncio profundo.
Benvindo, benvindo,
Salvador do Mundo!
Noite. Noite fria.
Mas que linda que é!
De um lado Maria.
Do outro José.
Um anjo descerra
A ponta do véu…
E cai sobre a Terra
A imagem do Céu!
(Pedro Homem de Mello- 1904-1984)
Villancico de las Manos Vacías
Yo tenía
tanta rosa de alegría,
tanto lirio de pasión,
que entre mano y corazón
el Niño no me cabía…
Dejé la rosa primero.
Con una mano vacía
– noche clara y alba fría –
me eché a andar por el sendero.
Dejé los lirios después. Libre de mentiras bellas, me eché a andar tras las estrellas con sangre y nieve en los pies.
Y sin aquella alegría,
pero con otra ilusión,
llena la mano y vacía,
cómo Jesús me cabía
– ¡y cómo me sonreía! –
entre mano y corazón
José María Pemán
(poeta espanhol, ingressou no mundo literário com uma série de obras poéticas inspiradas em sua Andaluzia natal- 1898-1981)
E um villancico/vilancete da folclorista chilena Violeta Parra (1917-1967), no qual a autora coloca numa voz popular nos seus modismos tradicionais, a adoração ao menino recém-nascido.