CARTA DE VENEZA – NOVOS ELEMENTOS URBANOS – por Vanessa Castagna
joaompmachado
Fonte: “Venezia non è Disneyland” na web
Primeiro foi uma circular do Ministério italiano de Administração Interna que, em novembro, chamava a atenção para o “faça você mesmo” facilitado pelos cofres que contêm as chaves para os hóspedes de alojamento local e que contornaria as normas nacionais sobre a identificação obrigatória dos próprios hóspedes. Esta deveria ocorrer de forma física, direta, por parte dos gestores das instalações, de modo a garantir a segurança pública. Na sequência da circular, a Câmara Municipal de Veneza já propôs proibir os senhorios que arrendam a turistas por mais de 120 dias por ano de utilizarem sistemas de check-in remoto.
Agora, as caixinhas que nos últimos anos passaram a povoar as cidades turísticas, juntamente com teclados numéricos para acesso automático aos prédios, estão a ser alvo de ações pacíficas de protesto. Veneza, simultaneamente a Florença, Génova, Rimini e Milão, na noite de 27 para 28 de dezembro, foi palco da ação dos ativistas de alguns coletivos que se mobilizaram contra o arrendamento turístico de curta duração. Estas cidades acordaram cheias de cartazes e sobretudo autocolantes colados aos cofres com mensagens do género “Menos alugueres curtos, mais casas para tod@s”, ou “O seu b&b, o nosso despejo” e, no caso de Veneza, “A sua casa era a minha casa”.
Veneza é apenas um caso emblemático entre as numerosas cidades onde, em Itália como noutros países, a crise da habitação se tem agravado cada vez mais como consequência da generalização do arrendamento turístico, de modo que as casas retiradas à residencialidade são cada vez mais. Para os que conseguem ficar a morar no centro histórico, agrava-se mesmo assim a dificuldade de acesso aos serviços como a saúde, o transporte coletivo e a educação, que tendem a ser deslocados para outras áreas. Uma questão quente que vai continuar a acompanhar-nos em 2025.