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Perante a Incerteza: como lidar com uma má notícia que ainda não se confirmou mas poderá ser grave ou nem passar de suspeita infundada? – por Carlos Pereira Martins

Dada a proximidade com a situação por mim há meses vivida, devo desde já dizer que isto não foi escrito aplicado a alguma coisa que comigo ou com os meus mais próximos se esteja a passar, absolutamente, não.
Recebi hoje, logo cedo, uma noticia de pessoa muito amiga e, logo de seguida, resolvi pegar na escrita e enviar-lhe este texto de amigo. Por vezes, ajuda, ainda que muito espere que não venha a ser nada além de preocupação médica!

Perante a Incerteza: como lidar com uma má notícia que ainda não se confirmou mas poderá ser grave ou nem passar de suspeita infundada?

Receber uma má notícia — ou até apenas a mera possibilidade  — pode abalar-nos profundamente. Ainda mais quando essa notícia é potencialmente grave, mas não está confirmada e só se saberá a verdade dentro de algum tempo. Nestes momentos, a mente tende a correr para cenários difíceis, quase sempre piores do que aquilo que acabará por acontecer. 

Como evitar que a preocupação constante nos consuma?

Em primeiro lugar, é importante reconhecer o que está a acontecer: estamos perante uma incerteza, não perante um facto. A nossa preocupação parte do medo de algo que ainda não sabemos se é real. E é precisamente aqui que está a chave: preocuparmo-nos agora não muda o desfecho, apenas nos rouba a paz do presente.

Uma forma eficaz de lidar com esta angústia é focar-se no que se sabe, e não no que se imagina. O que é factual agora? O que pode ou não acontecer ainda está por vir. Reconhecer esta distinção permite ganhar alguma clareza mental.

Depois, é útil aceitar que o controlo é limitado. Não está nas nossas mãos antecipar ou mudar a realidade futura com pensamentos ou ansiedade. Mas está nas nossas mãos escolher como viver estes dias de espera. Podemos decidir dedicar-nos ao que se gosta, mantermo-nos ocupados com rotinas saudáveis, e criar momentos de tranquilidade, mesmo que por breves instantes.

Também é essencial praticar um diálogo interno mais suave. Em vez de se perguntar “E se for o pior?”, experimentemos perguntar: “Como posso cuidar de mim enquanto não sei?” Esta mudança subtil permite focarmo-nos em acções concretas e dá à mente um sentido de presença.

Respirar fundo, fazer pausas, escrever, como muito faço e é um conselho pessoal que sempre dou,  textos ou pensamentos num caderno ou falar com alguém de confiança pode ajudar a libertar alguma da tensão acumulada. O objectivo não é ignorar a possibilidade da má notícia, mas aprender a viver com o não saber — um estado desconfortável, mas inevitável em tantas fases da vida.

No fundo, quando o futuro é incerto, a melhor solução é ancorar-se no presente. Um dia de cada vez. Uma hora de cada vez. Porque talvez, afinal, a má notícia nem se venha a confirmar. E nesse caso, teremos poupado dias preciosos de vida a um sofrimento que nunca se concretizou.

 

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