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UMA OPINIÃO – por Eva Cruz

UMA OPINIÃO

por Eva Cruz

Nunca fui filiada em nenhum partido embora tenha bem definida a minha posição ideológica e faça conscientemente as minhas opções. Vivo nesta terra de S. João da Madeira há mais de meio século. Apesar de passar ao lado de vários assuntos da cidade, estou muito atenta a tudo o que diz respeito ao bem colectivo. No dia-a-dia, contacto com muita gente de diferentes sectores de actividade e vou ouvindo opiniões positivas e negativas, umas vezes construtivas, outras nem tanto, sobre a administração autárquica cessante. Confesso desde já que as palavras que aqui escrevo são sinceras e verdadeiras e não movidas por razões individuais ou de amizade.

Reconheço que o trabalho da equipa que administrou a autarquia nestes dois últimos mandatos merece o meu respeito e a minha admiração. Refiro-me especialmente à parte cultural e social, alicerce fundamental na construção e desenvolvimento de uma comunidade. Neste campo, a actividade tem sido ampla e variada, concretizada na oferta de eventos como cinema, teatro, música, dança, desporto, pintura, literatura, poesia, arte em geral, acontecimentos mais eruditos ou mais populares, de modo a serem acessíveis a toda a população. Esta acessibilidade, facilitada por preços baixos ou mesmo gratuitos, é prova do interesse da autarquia na sua finalidade sociocultural. No que respeita ao ensino, a Escola tem sido levada a participar em múltiplos eventos culturais de natureza histórica, artística e lúdica. A criação de uma Assembleia Municipal Jovem é um bom exemplo do despertar para a estruturação da cidadania. No campo social e humanitário, não posso deixar de reconhecer o empenho e o esforço extraordinário e exemplar no sentido de minorar as desigualdades sociais, de melhorar as condições de vida dos mais desprotegidos e de procurar a sua inclusão social. Reconheço ainda a preocupação constante em manter a cidade limpa e cuidada. Relativamente a melhoramentos urbanísticos, outros dirão melhor do que eu, pois não é a minha área, mas creio que também os houve. Nem sempre as grandes obras são a marca deixada numa sociedade. Muitas vezes são as pequenas coisas imateriais e invisíveis as mais valiosas e que fazem a diferença. Refiro-me essencialmente à cultura, como forma estruturante da maneira como as pessoas se movem, sentem, pensam e interagem entre si e o mundo em seu redor. Com toda a sinceridade de uma cidadã responsável, penso que ninguém pode negar, com seriedade, o desempenho honesto, rigoroso, permanente, amplamente democrático e sobretudo humanizado da equipa que tem governado ultimamente a autarquia. Estou menos atenta e sensibilizada a questões de natureza partidária e política, razão pela qual procuro não me pronunciar.

Tendo sido Comissária na comemoração da elevação deste Concelho a Cidade, estive presente em quase todos os acontecimentos para que fui convidada, o que me deu a oportunidade de avaliar mais de perto o trabalho da autarquia e sentir-me mais segura nesta minha opinião. Escrevendo eu para o jornal Labor uns pequenos textos, muitas vezes sobre o nosso quotidiano, achei que seria injusto da minha parte não expressar o meu reconhecimento por este valioso trabalho realizado em prol do bem colectivo. Na análise objectiva do que é subjectivo não se pode excluir um julgamento criterioso, aceitando que no despir da pele que nos dá forma fica sempre a consciente nudez do que ainda não foi feito.

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