(Continuação)
5) A crise da Europa e os países mediterrânicos.
A crise actual das finanças públicas da Europa não está limitada à sua periferia, nomeadamente mediterrânica, com a Grécia, Portugal e a Espanha.
Esta refere-se também a países que fazem parte “do centro histórico” da União e que assinaram outrora o tratado de Roma: a Itália, a Bélgica, a França, cujas finanças públicas também não são nada brilhantes. Assim toda a Europa Mediterrânica aparece como estando em muito má situação apesar do que dizem “os euro-optimistas” impenitentes! A própria Alemanha, o mais sólido bastião que se conhece da zona euro, está fortemente endividada; é certo, o seu comércio externo é excedentário , mas este excedente é essencialmente criado com a eurozona: regista, como muitos outros países, défices comerciais com a China!
a) Com o alargamento da União, tinha-se feito um belo sonho
Quando a Espanha e Portugal entraram na União Europeia, eram numerosos os que pensavam que estes dois países, com os seus baixos salários, se iriam tornar os centros de desenvolvimento industrial para a Europa. Não foi infelizmente o esquema que foi seguido; do mesmo modo, não foi o esquema seguido pelos países da Europa Central e Oriental que em seguida entraram na União: apesar de investimentos directos provenientes dos países da União, estes países conheceram, eles também, uma baixa sensível do nível das suas actividades industriais. Insidiosamente, a deslocação das actividades de produção para a China – resultado dos custos salariais extremamente baixos e das taxas de câmbio administradas pela China – iniciava-se e produzia os seus efeitos.
Tinha sonhado-se para estes países um desenvolvimento análogo ao que tinha prevalecido no México, país que se tinha tornado durante um certo tempo “a fábrica” dos Estados Unidos, com os seus custos salariais nove vezes inferiores aos do grande vizinho do norte. Com a entrada da China na OMC em 2001, suprimiram-se os meios de defesa dos países que estavam já nesta organização, e isto significou o toque de finados para este mesmo belo sonho.
Em 2006, o responsável de uma grande multinacional presente sobre todos os continentes confiava à Antoine Brunet que o custo horário de um trabalhador especializado chinês era de 80 vezes inferior ao de um trabalhador americano, para unidades de produção que utilizam as mesmas tecnologias; a relação dos custos salariais entre o México e os Estados Unidos estava, por seu lado, na proporção de 1 para 9: doravante, as mesmas razões que tinham levado à deslocalização das produções, que tinha levado à sua deslocação dos Estados Unidos para o México, ia agora determinar que estas produções iam deixar o México, iam para a China.
(Continua)
