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O rabinho da mentira – Augusta Clara

 

Diário de bordo

 

 

Um dia destes ouvi a jornalista Cândida Pinto fazer o relato, na SIC Notícias, do que tinha presenciado como repórter na Líbia.

 

Cândida Pinto não é uma amadora. É uma boa jornalista e tem muita experiência em cenários de guerra. E, como a mentira, por mais que a escondam, acaba sempre por ter o rabo de fora, deliciei-me a observar os malabarismos que ela fez para não contar a verdade tal como é.

 

Dizia, então, Cândida Pinto:

 

– primeiro, que se sabia que os rebeldes tinham sido instruídos pelas forças ocidentais;

 

– segundo, que eram muito desorganizados, via-se que não tinham um plano de ataque e que mal sabiam mexer nas armas;

 

– terceiro, que tinham entrado muito facilmente em Tripoli, chegando depressa ao coração da cidade;

 

– quarto, que a população se manifestava contente porque não ter acontecido o mesmo que no Iraque. Aqui ninguém tinha destruído os bancos, o que com rebeldes tão desorganizados é difícil de entender. Não disse foi se o dinheiro ainda lá estava.

 

E, também, não disse o que outros colegas seus estrangeiros disseram, correndo risco de vida: que quem tomou a cidade foram as forças da NATO e que essa de “rebeldes” vencedores foi só para inglês ver, isto é, para papalvos acreditarem.

 

Contar histórias bem contadas é muito difícil, sobretudo quando a intenção é falsear os factos.  

 

A liberdade de expressão é, neste momento, uma miragem e mete dó ver bons profissionais sujeitos aos ditames dos grupos económicos que arrebanharam jornais, rádios e televisões e os impedem de exercer o seu trabalho com dignidade, tendo como alternativa o despedimento.   

 

Como podemos confiar numa comunicação social que só nos conta metade da verdade, e, tantas vezes, nos omite mesmo a verdade toda?

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